Deméter e Perséfone: a história de um amor materno indestrutível
A história de Deméter e Perséfone é uma das mais conhecidas da mitologia grega quando se fala da relação mãe-filha. Mostra eficazmente quão duradouro pode ser o amor de uma mãe e até onde está disposta a sacrificar-se pela filha. Mesmo quando parecia um caso desesperado, Deméter fez de tudo para forçar Zeus a intervir e trazer de volta a filha, mesmo que só por um período limitado.
Continue a ler para descobrir o que aconteceu a Perséfone e o que fez Deméter para a reencontrar e recuperá-la consigo.
Quem são Deméter e Perséfone?
Deméter e Perséfone são mãe e filha cujo amor foi amplamente ilustrado na mitologia grega. São muitas vezes retratadas juntas, a mostrar a relação mãe-filha de Deméter e Perséfone, e são até chamadas «As Deusas», que ambas simbolizam a vegetação e as estações do planeta.
A história de Deméter e Perséfone
Na antiga Grécia Deméter era conhecida como a deusa da colheita. Era responsável por tornar fértil a terra e por permitir às culturas crescer. Isso tornava-a uma deusa importantíssima para o povo, e até Zeus, rei dos deuses, reconhecia o papel maior que desempenhava.
Deméter nunca foi casada, mas teve vários filhos, entre os quais Perséfone é a mais famosa. Perséfone, por outro lado, é a filha de Deméter e Zeus. A história de Deméter e Perséfone concerne o seu rapto e o modo como Deméter enfrenta o seu desaparecimento: é o relato mais conhecido sobre elas. Esta história foi escrita no Hino homérico a Deméter. Mostrava a relação entre Deméter e Perséfone, que tocava um tipo de amor diferente daqueles mais comumente presentes nos relatos da mitologia grega.
A origem de Deméter
Deméter era uma das originárias Doze Olímpicas consideradas as principais deusas e divindades do panteão grego. Era a filha do meio de Cronos e Reia, e Hades, Posídon e Zeus eram os seus irmãos.
Desempenha um papel maior como deusa da comida e da agricultura. Deméter era considerada uma deusa mãe; daí o seu nome está frequentemente ligado à palavra «mãe». Está associada também à expressão «Mãe Terra».
É também considerada responsável pelo mudar das estações e está incluída nos Hinos homéricos, uma recolha de poesia heróica dedicada aos deuses. Neles aparecem hinos sobre Zeus, Posídon, Hades e muitos outros.
O Hino a Deméter afirma que a génese dos Mistérios eleusinos pode ser reconduzida a dois eventos na vida de Deméter: a separação e a reunião com a filha. Estes mistérios são celebrados todos os anos emElêusis, na Grécia. Honram a história de Deméter e Perséfone. Porém, como as iniciações estavam vinculadas ao segredo, não é claro como se desenrolavam os rituais.
Nasce Perséfone
Zeus, rei dos deuses, teve uma filha com a irmã Deméter. Perséfone nasceu e cresceu até se tornar uma deusa encantadora. A sua beleza era tal que cedo se tornou no centro da atenção dos deuses olímpicos masculinos. Ela porém os repeliu a todos, e a mãe assegurou que a decisão de Perséfone fosse respeitada. Nem todos os deuses interessados nela, porém, se deixaram desencorajar facilmente.
Perséfone torna-se rainha do Além
No início o seu papel estava estreitamente ligado ao da mãe—trabalhar com a natureza e cuidar de flores e plantas. Após ter sido raptada pelo tio, Perséfone, ou Proserpina como é conhecida em latim, tornou-se a rainha doAlém e desempenhou um papel integral nas decisões relativas ao reinado dos mortos.
Quase todos os mitos sobre Perséfone se desenrolam no Além, apesar de ter passado a maior parte da vida no mundo dos vivos. Em consequência foi considerada uma deusa de natureza dual: uma deusa da natureza que faz germinar a vida e uma deusa dos mortos.
O rapto de Perséfone
Hades, soberano do Além e rei da terra dos mortos, raramente saía, e numa ocasião viu a belíssima Perséfone e apaixonou-se de imediato. Hades sabia que a irmã Deméter não teria permitido à filha ser sua esposa, assim consultou o irmão e pai de Perséfone, Zeus. Juntos planearam raptar Perséfone.
Como Perséfone ama a natureza e as plantas, Hades usou uma flor muito fragrante e bela para a atrair. Usou uma flor de narciso, que atraiu eficazmente Perséfone. O dia em que estava fora a recolher flores com a amiga, a bela flor captou a sua atenção. Assim que recolheu a flor, a terra abriu-se e Hades emergiu no seu carro. Agarrá-la de súbito e num bater de olhos Perséfone e Hades desapareceram.
A dor de Deméter
Quando Deméter compreendeu que a filha tinha desaparecido, foi devastada. Voltou a raiva contra as ninfas que deveriam ter protegido Perséfone. Deméter transformou-as em sereias e depois encarregou as ninfas aladas de procurar Perséfone.
Deméter própria vagueou pela terra em busca da filha. Durante nove dias procurou continuamente o mundo sem consumir ambrosia nem néctar, mas sem resultado. Ninguém lhe podia dar indícios sobre onde pudesse estar a filha até Hécate**, a deusa da magia **e dos encantamentos, dizer a Deméter ter ouvido a voz de Perséfone quando foi raptada e levada à terra dos mortos. Esta história foi confirmada por Hélio, o deus do sol, que vê tudo o que acontece na terra.
Quando Deméter por fim aprendeu a verdade sobre o desaparecimento da filha, já não estava deprimida mas enfurecida contra todos, em particular Zeus, que parecia ter até ajudado Hades a raptar a filha.
Efeito do desaparecimento de Perséfone
Durante o tempo em que Deméter procurava continuamente a filha, descurava os deveres e as responsabilidades de deusa da colheita e da fertilidade. Nada mais lhe importava senão encontrar a filha. Disfarçada de velha enquanto procurava a filha, Deméter alcançou Elêusis e foi-lhe dado o encargo de cuidar do príncipe.
Enquanto fazia amizade com a família real, pretendia tornar imortal o príncipe banhando-o no fogo todas as noites. A rainha porém entrou em pânico quando viu acidentalmente o ritual cumprido sobre o filho. Deméter revelou-se e ordenou construir um templo. Foi ali que se isolou durante um ano inteiro após ter descoberto o que tinha acontecido a Perséfone.
Em consequência, o solo tornou-se estéril, as culturas não cresciam e a fome avançou lentamente, matando a gente de fome. Zeus apercebeu-se de que a humanidade podia ser varrida, sem ninguém remanescente a oferecer sacrifícios aos deuses, se não tivesse intervindo.
Além disso encarregou os deuses de ir a Deméter e persuadi-la oferecendo dons, mas todos falharam. Por fim Zeus pediu ao mensageiro dos deuses, Hermes, que descesse ao Além e pedisse a Hades que libertasse Perséfone e a restituísse à mãe.
Perséfone e o mudar das estações
Antes de Perséfone ser restituída à mãe, tinha sido enganada por Hades a consumir as sementes do fruto da romã. Segundo as antigas regras, uma vez que alguém consumiu comida no Além, é forçado a ficar lá.
Com isto, Zeus propôs um compromisso, sabendo que Deméter não teria deixado a filha para sempre ligada ao Além. Zeus fez um acordo entre Deméter e Hades para permitir a Perséfone passar um terço do ano com Hades e os outros dois terços com Deméter.
A condição da estadia de Perséfone com a mãe tem um enorme impacto no mudar das estações na terra, pois as emoções de Deméter lhes correspondem. Ela faz murchar e perecer a terra enquanto Perséfone está com Hades. Corresponde às duas estações que conhecemos como inverno e outono.
Porém, quando Perséfone se reúne à mãe, a esperança reacende-se e Deméter traz de volta calor e sol, que fazem alegrar o solo e de novo o tornam fértil para as culturas. Esta estação cai entre o que conhecemos como primavera e verão.
Os historiadores gregos antigos acreditavam que representasse o crescimento agrícola e mostrasse claramente o ciclo vital de uma planta. O tempo de Perséfone no Além é visto muito como o que acontece a uma semente: deve primeiro ser sepultada para produzir abundância de fruto sobre si.
Conclusão
O amor materno de Deméter era tão forte que até as estações foram influenciadas pelas suas emoções nos períodos em que Perséfone estava com ela e no período tenebroso em que tinha de a deixar. Segundo os mitos gregos, Deméter e Perséfone eram conhecidas por uma relação mãe-filha muito estreita. Resumamos o que aprendemos da sua história:
- Deméter é uma das doze divindades olímpicas que eram divindades maiores do panteão grego; desempenha um papel vital como deusa da colheita. O mito de Deméter está incluído também no hino homérico, juntamente com as histórias dos irmãos Zeus, Posídon e Hades.
- Perséfone é a filha de Deméter e Zeus. Foi raptada por Hades para ser sua esposa e tornou-se rainha do Além. O rapto atingiu profundamente a mãe, que descurava os deveres e as responsabilidades de deusa da colheita.
- Em consequência a gente começou a morrer de fome e Zeus apercebeu-se do possível efeito na humanidade. Interveio comandando a Hermes ir pedir a Hades que restituísse Perséfone à mãe.
- Sabendo que Deméter não teria aceitado, Zeus fez um compromisso para que Perséfone ficasse com Hades durante um terço do ano e regressasse a Deméter durante os restantes dois terços. Tudo isto foi descrito no poema de Deméter e Perséfone.
- O Hino a Deméter afirma que a génese dos Mistérios eleusinos pode ser reconduzida a dois eventos na vida de Deméter: a separação e a reunião com a filha.
A fascinante história da relação entre Deméter e a filha está centrada no amor indestrutível de uma mãe pelo filho, a luta devastante para a reencontrar e a determinação de a recuperar. Tornou a sua história única entre os tantos relatos que compõem os mitos gregos.

Por Mundo Mítico
Criado: 16 de fevereiro de 2024









