1. Início
  2. Histórias
  3. História do Cairo: a antiga cidade «vitoriosa» do Nilo

História do Cairo: a antiga cidade «vitoriosa» do Nilo

A história do Cairo é famosa e misteriosa para quem quer que tenha alguma vez visto uma imagem das pirâmides.

Já se interrogou como nasceu a antiga cidade do Cairo? Aqui encontra tudo o que precisa saber sobre quão antiga é e sobre o nome do Cairo no antigo Egipto.

Notável hoje como capital do Egipto, estendida por cerca de 528 quilómetros (328 milhas) ao longo do Delta do Nilo, o Cairo é a maior área metropolitana de África.

Vista do Cairo, a antiga cidade rica de história

Fundada oficialmente em 969 d.C. pela dinastia fatímida (909–1171), a antiga cidade pode fazer remontar as suas origens ao primeiro IV milénio a.C., quando funcionava como capital egípcia dos faraós e se chamava Mênfis.

História do Cairo: lugar de repouso dos antigos faraós

Quando imagina o Cairo, a primeira coisa que lhe vem à mente são as Pirâmides de Gizé, logo fora da capital.

Estas imponentes estruturas, que compõem o Cairo antigo que tem em mente, eram templos erigidos a vigiar quem nelas estava sepultado. A área da actual capital egípcia é rica de história antiga.

O Cairo antigo foi o último repouso de uma cadeia de faraós, guardando e protegendo durante séculos as riquezas e os mistérios do seu tempo.

«O Egipto é um dom do Nilo» – Heródoto

O rio Nilo

O desenvolvimento histórico icónico do Cairo está ligado directamente ao Nilo. Principal fonte de água para a agricultura regional, o Nilo é a linfa vital das culturas. No plano económico era uma importante via comercial, que garantia transportes e trocas no vale do Nilo nos tempos dos faraós.

Os antigos egípcios organizavam a vida com base no Nilo. Casas e aldeias erguiam-se na margem oriental, onde nasce o sol, porque o nascer do sol simbolizava a vida. Na margem ocidental, onde o sol se põe, erguiam-se templos e monumentos fúnebres, pois o pôr do sol simbolizava a morte.

A história egípcia antiga recorda que o Egipto era outrora dividido em Alto e Baixo Egipto. O primeiro faraó Menés (3200–3000 a.C.) uniu os dois territórios construindo a capital na fronteira, como sinal de paz e unidade. A cidade de Menés chamava-se Mênfis e erguia-se a sudoeste do actual Cairo.

Estendida ao longo da margem oriental do rio, Mênfis detinha um poder económico e político estratégico na região.

Quão antigo é o Cairo? Origens da cidade antiga

A megalópole que conhecemos hoje tem mais de 25 séculos. A antiga cidade do Cairo pode fazer remontar as suas origens a 641 a.C. A história urbana começa com a conquista árabe do Egipto em 640, três séculos antes da fundação de al-Qāhira (Cairo) por parte dos Fatímidas. Em quase seis séculos o Cairo formou-se na capital colossal que conhecemos.

Quando o imperador persa Dario o Grande (550–486 a.C.) conquistou o Egipto por volta de 500 a.C., construiu um canal que ligava um braço do Nilo ao Mar Vermelho, largo cerca de 25 metros (82 pés); a viagem em chata até ao Mar Vermelho requeria quatro dias.

O imperador romano Trajano (53–117 d.C.) prosseguiu a obra de Dario e, em 100 d.C., prolongou o canal a montante, construindo uma fortaleza e um pequeno assentamento chamado Babilónia. A área de Babilónia tornou-se a cidade do Cairo. Trajano completou o canal que ligava Nilo e Mar Vermelho e o intitulou a si como Amnis Traianus, ou Rio de Trajano.

Fustat como capital do Egipto

Pessoas a caminhar no bazar do Cairo

Em 641 d.C. o general muçulmano ʿAmr ibn al-ʿĀṣ (573–664 d.C.) conquistou o Egipto. As lendas contam que escolheu a nova capital do país lá onde uma pomba tinha posto um ovo na sua tenda, pouco antes de invadir Alexandria.

O campo do general, a norte da fortaleza romana de Babilónia, tornou-se a primeira capital egípcia sob domínio muçulmano. A mesquita de ʿAmr ibn al-ʿĀṣ foi erigida em 642 d.C. perto da tenda do general: a primeira mesquita do Egipto.

Fustat foi capital do Egipto de 641 a 750 d.C. e uma cidade poderosa na região. Para o 800 d.C. a população contava cerca de 120.000 habitantes. O Egipto permaneceu porém um objectivo estratégico nas conquistas do Médio Oriente.

Em 969 d.C. o general Gawhar (m. 992) da dinastia fatímida conquistou o Egipto e deslocou a capital pouco a norte de Fustat. Os Fatímidas chamaram a nova capital Al-Qāhira (Cairo), «a vitoriosa».

No curso do seu reinado de cerca de dois séculos e meio os Fatímidas uniram as fortalezas norafricanas e estenderam as ambições às cidades santas de Meca, Medina e ao Iémen.

A capital imperial fundada no Cairo em 969 d.C. deu à dinastia fatímida um crescimento sem precedentes, ligando o Mar Vermelho às rotas mercantis do Mediterrâneo e do Oceano Índico.

Nesse período o Cairo tornou-se centro de instrução e de sabedoria, com a biblioteca do Cairo, que continha várias centenas de milhares de volumes.

Fustat permaneceu uma cidade floresciente a sul da nova capital. As Cruzadas iniciaram a campanha contra o Egipto para enfraquecer os Fatímidas em 1163. Em 1168 os Fatímidas queimaram a próspera Fustat para desencorajar os cruzados do assalto ao vizinho Cairo.

Em 1169 os Fatímidas nomearam Saladino a governar o Egipto; ele fundou a dinastia aiúbida. Saladino construiu a Cidadela do Cairo, centro de todo o governo egípcio. O Cairo era já um vivaz centro comercial e, por volta de 1340, contava cerca de 500.000 habitantes.

«Pior do que alguma vez visto antes no mundo islâmico» – Al-Maqrizi, historiador

A peste bubónica

A peste bubónica, ou Morte Negra, atingiu a antiga cidade e não usou no Cairo mais piedade do que noutros lugares. O historiador e cronista egípcio do século XV al-Maqrizi notou que a peste chegou ao Egipto quando, em 1347 d.C., uma nave entrou em Alexandria com a bordo os cadáveres de toda a tripulação.

Segundo al-Maqrizi, em 1348 a peste fazia cerca de 7.000 mortos por dia. Entre 1348 e 1517 a peste bubónica devastou a capital egípcia. Mais de 200.000 pessoas morreram e a população se reduziu drasticamente.

O Império otomano conquistou o Cairo em 1517 e permaneceu no poder até 1798, quando Napoleão Bonaparte (1769–1821) o tomou para a França. Os otomanos foram restaurados no início do século XIX; contudo, as dívidas contraídas para as ajudas estrangeiras contra os franceses enfraqueceram a cidade. A influência europeia saturou em breve a paisagem urbana.

O vice-rei Ismail Paxá (1830–1895) governou o Cairo de 1863 a 1879 e abraçou a arquitectura europeia, agravando ulteriormente as dívidas para com potências estrangeiras. A conclusão do Canal de Suez em 1869 devia mostrar às potências europeias a importância do Cairo para o comércio internacional.

A vulnerabilidade financeira conduziu por fim o Cairo sob controlo britânico de 1882 até à Primeira Guerra Mundial (1914–1918).

A independência do Egipto

Os protestos pela independência egípcia do domínio britânico conduziram à revolução egípcia de 1919 e, em 1922, à declaração de independência. O domínio colonial britânico prosseguiu até 1956 e foi fortemente reduzido pela revolução egípcia de 1952.

A nova República egípcia, guiada por Gamal Abdel Nasser (1918–1970), iniciou renovação urbana, investimentos públicos nos transportes e reformas agrárias. No início dos anos Sessenta a população do Cairo superava os sete milhões de habitantes.

Em 1992 um terramoto atingiu a antiga cidade com tal violência que deixou sem casa quase 50.000 pessoas e mais de 500 mortos. Mais recentemente, em 2011, a capital foi centro da revolução egípcia que derrubou Hosni Mubarak (1928–2020). No início do século XXI a população do Cairo superava os 15 milhões.

Centro comercial e industrial do Egipto e capital cultural do mundo islâmico, a cidade aloja célebres monumentos históricos e culturais, entre os quais um estádio, um teatro da ópera, prestigiados ateneus, um festival cinematográfico internacional e numerosas publicações jornalísticas.

Conclusão

Pirâmide no Cairo como símbolo da história do Cairo

A história do Cairo é rica e cheia de eventos que inspiram.

Eis um resumo e alguns factos interessantes sobre o Cairo:

  • O clima do Cairo é seco e desértico durante grande parte do ano. Humidade sufocante do Nilo e tempestades de pó do Sara são comuns na primavera.
  • Entre as Sete Maravilhas do Mundo, a Pirâmide de Gizé no Cairo é a única ainda existente.
  • A estrutura mais alta do Norte de África situa-se no Cairo. A Torre do Cairo é uma torre em cimento alta 187 metros (614 pés) e foi a mais alta de África até 1971.
  • Pode visitar as origens do Cairo antigo na estrutura mais antiga da cidade, a fortaleza de Babilónia, construída no século VI.
  • A Pirâmide de Gizé foi o edifício mais alto do mundo construído por mãos humanas antes da Torre Eiffel. A construção requereu mais de vinte anos e mais de dois milhões de blocos de pedra.

Agora que descobriu tanto sobre a história do Cairo, partilhe-a com familiares e amigos: também eles apreciarão as maravilhas desta antiga cidade. Um dia, talvez, possa também visitá-la e ver a sua grandeza ao vivo.

Criado: 11 de janeiro de 2022

Modificado: 8 de março de 2024