Deuses persas antigos: ascensão e queda das antigas divindades
Os deuses persas antigos são famosos em todo o mundo pelos seus poderes, o grande seguimento e as histórias. Estes deuses, que agora são considerados um mito, foram outrora os guardiães do povo persa, que os venerava com todas as suas forças.
Aqui reunimos um relato detalhado dos deuses persas antigos e das suas características.
Deuses persas
Cada civilização antiga baseia-se num intricado sistema de crenças composto por muitos deuses, deusas, criaturas e heróis. Estes sistemas de crenças estavam profundamente enraizados na sua civilização e eram uma grande parte da sua vida. Diz-se que as crenças religiosas de um grupo são um mito para o outro e vice-versa. Mas, mito ou não, as pessoas antigas dedicavam a vida inteira à causa da sua religião.
Uma das civilizações mais religiosas foi o antigo império persa, que é conhecido por ter tido uma variedade de deuses e deusas antigos. Esta civilização viu a ascensão e a queda de muitas diferentes religiões desde que veio a ser. Cada nova força de governo trazia as próprias crenças religiosas e os próprios deuses. O povo era depois forçado a viver segundo a nova religião, e assim fazia.
Mesmo em tais condições, uma religião particular tornou-se a identidade da Pérsia e dos seus habitantes: o zoroastrismo. Sempre que se menciona a antiga Pérsia, o nome desta religião emerge inevitavelmente. A Pérsia viu o declínio do zoroastrismo após a invasão muçulmana.
Muitas diferentes religiões foram acrescentadas à comunidade persa como budismo, judaísmo e cristianismo. Os Persas passaram de serem devotos politeístas a zoroastrianos, a muçulmanos, e depois muçulmanos xiitas. Segue-se uma explicação detalhada dos deuses persas antigos em forma cronológica.
O período pré-zoroastriano da Pérsia
O império persa foi fundado por Ciro, o Grande em 550 a.C. Ciro unificou muitos reinos adjacentes num único reino fortificado: a Pérsia.
Antes do reinado de Ciro, vários reinos seguiam várias religiões. A única coisa comum em todas as religiões era que eram todas baseadas no politeísmo.
Este politeísmo foi introduzido na região pelos colonos latinos e gregos. Muitas referências às mitologias romana e grega se veem no antigo período pré-zoroastriano da Pérsia. Mas também os deuses romanos e gregos receberam um toque persa.
Muitos destes deuses, de facto, receberam nomes persas, apesar de manterem as mesmas características da sua identidade grega ou romana. Estes deuses alienígenas foram por fim absorvidos tão profundamente na cultura persa que a sua origem grega ou romana foi completamente esquecida.
Cada família, casta ou grupo de pessoas tinha os próprios deuses e deusas. As pessoas combatiam guerras baseadas em diferenças religiosas e vangloriavam-se de matar as pessoas que seguiam qualquer outro deus além do seu. Esta era uma prática comum até nascer o império da Pérsia. Ciro era um zoroastriano devoto e, sob o seu domínio, também o seu povo se tornou zoroastriano.
O período zoroastriano da Pérsia
Este período da história persa é de longe o mais importante. Este período viu a ascensão da religião do zoroastrismo, que deu à Pérsia a sua identidade religiosa e unificou centenas de milhares de pessoas sob uma só religião.
O zoroastrismo foi uma religião nascida em 1500 – 1000 a.C. Esta religião nasceu das ideias de um filósofo e profeta chamado Zoroastro. Zoroastro acreditava que havia muitos deuses e deusas mas que eram todos guiados por um único deus supremo. Acreditava que havia sempre lados do bem e do mal e que o bem conquistaria por fim a escuridão do mal.
Com base nestas crenças, formou-se a religião do zoroastrismo. Esta religião consistia de muitos deuses e deusas existentes mas eram todos governados por Ahura Mazda. Ahura Mazda é o chefe dos outros 11 deuses e juntos formam o panteão persa de 12 deuses antigos do império.
Cada uma destas entidades tinha um papel e um lugar específicos no panteão.
Aqui explicamos as características e a importância de cada um dos 12 deuses e deusas zoroastrianos:
- Ahura Mazda
- Angra Mainyu
- Mithra
- Hvar Ksata
- Ardvi Sura Anahita
- Rashnu
- Verethragna
- Tiri e Tishtrya
- Atar
- Haoma
- Vayu
- Zorvan
Ahura Mazda – O chefe dos deuses
Ahura Mazda, também chamado Ormuzd, era o criador de todas as coisas e o deus persa mais antigo. Ele criou o céu, a água, a terra e a lua. Depois moldou os animais e deixou-os na terra a pastar e a reproduzir-se.
Criou um casal, um homem e uma mulher, a quem deu o livre-arbítrio de escolher para si o que pensavam ser melhor. Encorajava sempre as suas criaturas a ser a melhor versão de si mesmas.
Angra Mainyu
Ahura Mazda era o nobre deus que ajudava a humanidade. Angra Mainyu, também chamado Ahriman, era a divindade malvada que visava destruir tudo o que Ahura Mazda tinha criado. Angra Mainyu semeou o caos na terra quando foi criado o primeiro casal. Angra Mainyu era puro mal, portanto tinha de haver um deus igualmente bom: Mithra.
Mithra
Mithra era e é o mais famoso e o mais amado entre as divindades persas antigas. Era responsável pela mudança das estações e pela ordem cósmica. É conhecido como o deus do sol nascente e da amizade. Era um deus amoroso que ajudava e protegia as pessoas rectas e fiéis. Mostrava-lhes Asha (a luz) nos seus momentos mais escuros e nunca as deixava sozinhas.
Era o último guerreiro contra a escuridão e é retratado a conduzir um carro com cavalos brancos. O seu armamento contém arcos e flechas de ouro e os machados e punhais mais formidáveis. Usava os seus poderes para conceder às pessoas nobres o direito de guiar um reino. Qualquer rei encontrado indigno do seu reino era removido por Mithra.
Hvar Ksata
Também conhecido como Hvare-Khshaeta, que se traduz como «o sol radiante», era o deus do sol. Enquanto era o deus do sol pleno, Mithra era o deus do sol nascente apenas. Hvar Ksata era responsável por dar sustento ao povo e vida às suas culturas.
Ardvi Sura Anahita
Anahita é uma das deusas mais amadas do panteão persa. Era a deusa da fertilidade, da água, da saúde, da cura e da sabedoria. Como está associada a dar saúde e cura, Anahita era também chamada o deus da guerra. Os guerreiros invocavam-na para saúde, cura e vitória nas guerras.
É considerada a fonte de toda a vida na terra, que era depois mantida por Hvar Ksata. É retratada como uma bela jovem mulher num traje de seda e uma coroa branca. Conduz um carro de quatro cavalos e leva ramos de vida na mão.
Rashnu
Rashnu era um anjo e não um deus. Rashnu era o anjo que ordenava os mortos no paraíso e no inferno após ter examinado as suas acções. Recebia um relato das acções do falecido de outros anjos. Rashnu foi o juiz dos mortos até tempos posteriores, quando foi substituído por Mithra como deus dos mortos.
Verethragna
Ao contrário de outros deuses, este deus tinha uma só característica: Combater as forças do mal e da escuridão. É conhecido como um metamorfose e uma das maiores forças contra Angra Mainyu. Há várias lendas em que Verethragna é visto como uma ave, um touro, um rapaz de 15 anos e um cavalo branco adornado de ouro.
Tiri e Tishtrya
Tiri e Tishtrya eram irmãos gémeos com poderes diferentes mas correlacionados. Tiri era o deus da agricultura e Tishtrya era o deus da chuva. Ambos os deuses trabalhavam juntos para trazer ao povo a colheita. Em alguns lugares, estes deuses são considerados um só.
Diz-se que os agricultores tinham de rezar a estes deuses de um modo específico para os manter contentes. Se os deuses se zangavam ou se as procissões de oração não eram do seu gosto, a sua colheita seria destruída.
Atar
Atar era o filho de Ahura Mazda. Era mais famoso porque era o deus do fogo. Onde quer que se acendesse um fogo, dizia-se que as pessoas estavam na presença de Atar. Atar e Mithra eram amigos próximos e narra-se que combateram e venceram muitas batalhas contra o mal.
Haoma
Haoma era o deus da vitalidade, da força e do poder. Estava associado a Atar, Mithra e Anahita. As pessoas rezavam a Haoma por filhos fortes. A planta de Haoma era também considerada uma extensão do deus Haoma. As pessoas usavam esta planta antes da concepção.
Vayu
Vayu era também conhecido como Vayu-Vatu. Vayu era o deus dos ventos. Vivia entre os reinos de Ahura Mazda e Angra Mainyu, o que significa que era bom e malvado ao mesmo tempo. As suas acções dependiam da direcção em que soprava o vento. É o guardião da ordem entre os reinos.
É representado como um feroz guerreiro num carro com armas de ouro e uma longa lança afiada. Através das histórias, vê-se a combater de ambos os lados: o bem e o mal.
Zorvan
Zorvan, também conhecido como Zurvan, era o deus do tempo. É conhecido por ser o pai do bem e do mal: Ahura Mazda e Angra Mainyu. Acredita-se que Zorvan deu à luz dois gémeos com polaridades opostas. Zorvan controlava o espaço e o tempo.
Nos tempos antigos inundações, fomes, secas e desastres naturais eram muito comuns. O povo precisava de alguma divindade a quem se pudesse dirigir e pedir ajuda. As 12 divindades zoroastrianas antigas mencionadas acima eram as divindades que os Persas seguiam. Os Persas rezavam a estes deuses, sacrificavam por estes deuses e matavam por estes deuses.
A religião zoroastriana foi vista como a principal religião do povo da Pérsia durante muitos anos. Outras religiões foram eventualmente vistas também, mas em minoria.
O período pré-islâmico da Pérsia
Como sabemos, o zoroastrismo era a principal religião em toda a Pérsia e era baseado nas visões de Zoroastro. Nessa época no mundo, muitas outras religiões estavam no seu auge. Estas religiões eram budismo, judaísmo, cristianismo e Islão. Gradualmente, as religiões do budismo, do judaísmo e do cristianismo infiltraram-se na Pérsia.
Budismo
O budismo é uma religião baseada nos ensinamentos de Gautama Buda. Diz-se que esta religião tem origem na Índia e é uma das religiões mais antigas do mundo. Como a Pérsia partilhava uma fronteira com a Índia, muitos imigrantes vieram de lá. Isto fez progredir a religião do budismo e do zoroastrismo.
Os budistas são pessoas amantes da paz, calmas e minimalistas. Devido a estas características, há raramente conflitos reportados entre os budistas e os zoroastrianos da antiga Pérsia.
Judaísmo
O judaísmo é uma religião monoteísta que acredita na supremacia de um só deus e de muitos profetas. Acreditam que deus não tem um corpo e que criou o universo sem qualquer ajuda. Esta religião era interessante para os Persas pois nunca tinham visto antes o conceito de um único deus supremo.
Muitas instâncias de paz e guerra estão presentes entre os judeus persas e os zoroastrianos persas.
Cristianismo
O cristianismo é uma religião monoteísta baseada nos ensinamentos de Jesus. Era e é uma das religiões mais seguidas de todos os tempos. Os cristãos persas jogaram um papel importante na difusão do cristianismo e na conversão das pessoas de outras religiões. Na antiga Pérsia, o cristianismo via-se nas áreas mais próximas dos países europeus.
Na Pérsia — isto é, antes da invasão dos muçulmanos — budismo, judaísmo e cristianismo eram as três famosas religiões, com o zoroastrismo que permanecia a mais praticada. Em algumas áreas da Pérsia, as pessoas destas quatro religiões viviam em paz e harmonia, enquanto noutras áreas havia um constante temor de guerra e de crimes de ódio baseados na religião.
Não obstante, os Persas e a mitologia persa prosperaram sob as quatro religiões e as pessoas dessa época levaram a Pérsia aos cumes da glória. Isto foi até os muçulmanos invadirem a Pérsia.
O período islâmico da Pérsia
De 633 a 654 d.C., o califado dos Rashidun invadiu o império persa. Esta invasão é também conhecida como a conquista árabe da Pérsia. Esta invasão levou à queda da religião, da cultura e da tradição zoroastrianas na área.
O Islão é uma religião monoteísta e condena a associação de deus a qualquer outra coisa, viva ou morta. Quando os árabes tomaram o controlo da Pérsia, a maioria seguia a religião do zoroastrismo com grupos de minoria que praticavam budismo, judaísmo e cristianismo.
A religião dos grupos de minoria era baseada no monoteísmo, que era aceite pelos muçulmanos. Mas a religião de Zoroastro, que tinha dois deuses maiores e muitos deuses menores, era altamente inaceitável para os árabes muçulmanos.
Os muçulmanos converteram os Persas ao Islão?
Os árabes muçulmanos assumiram a tarefa de libertar o povo da Pérsia do politeísmo. Este acto dos muçulmanos foi condenado por muitos Persas. No fim, houve guerras civis e religiosas entre eles.
Muitas pessoas da Pérsia converteram-se de boa vontade à religião do Islão e tornaram-se muçulmanos devotos. Esta é a razão pela qual muitos antigos edifícios de oração zoroastrianos são agora usados como mesquitas.
A história narra tratamentos diferentes dos zoroastrianos por parte dos muçulmanos em lugares diferentes. Em alguns lugares, os muçulmanos são retratados como os governantes mais duros. Além disso, os soberanos muçulmanos impuseram um imposto sobre os crentes zoroastrianos. Este imposto tinha de ser pago a tempo, pois as penas eram a tortura ou a morte.
Por outro lado, alguns historiadores acreditam que os muçulmanos deram aos zoroastrianos, aos budistas, aos cristãos e aos judeus plena liberdade religiosa e liberdade de viver as suas vidas segundo a sua religião. Mas qualquer coisa que realmente tenha acontecido, a religião do zoroastrismo declinou após a invasão da Pérsia.
Os deuses antigos da Pérsia no tempo presente
O que podemos pensar como mitologias agora eram outrora os sistemas de crença completos das pessoas antigas. As pessoas viviam as suas inteiras vidas dedicadas aos ensinamentos e aos poderes destes deuses. Combateram e sacrificaram por estes deuses.
Os Persas atravessaram uma turbulenta jornada religiosa. Foram primeiro os crentes dos seus vários deuses e deusas, influenciados pelas mitologias grega e romana. Depois começaram a seguir a religião do zoroastrismo, teorizada por Zoroastro, um filósofo. Várias religiões como budismo, cristianismo e judaísmo foram introduzidas a grupos de minoria na Pérsia.
Por fim, os Persas foram invadidos pelos árabes muçulmanos, após o que a maioria dos Persas se voltou para a religião do Islão e a religião do zoroastrismo viu um declínio proeminente.
Hoje os deuses antigos da Pérsia não são tão bem conhecidos como o eram então mas ainda muitos grupos de minoria e cultos acreditam na supremacia e na nobreza de Ahura Mazda e na malvadez de Angra Mainyu.
Conclusões
Neste artigo apresentámos as diferentes religiões seguidas na antiga Pérsia e os diferentes deuses que eram venerados nesses tempos.
Repassemos os pontos principais ainda uma vez:
- A religião do zoroastrismo era a religião original dos Persas e substituiu o culto dos deuses inspirados em gregos e romanos.
- O zoroastrismo era baseado nos pensamentos e nas ideias de Zoroastro, que era um filósofo.
- O zoroastrismo baseia-se no panteão de 12 deuses com várias habilidades.
- Os 12 deuses e deusas persas antigos do zoroastrismo são os seguintes:
- Ahura Mazda – Chefe dos deuses
- Angra Mainyu – Deus do mal e do caos
- Mithra – Deus do sol nascente e da realeza
- Hvar Ksata – Deus do sol pleno
- Ardvi Sura Anahita – Deusa da fertilidade, da saúde, da água, da sabedoria, da guerra
- Rashnu – O juiz dos mortos
- Verethragna – Deus da guerra contra o mal
- Tiri e Tishtrya – Deuses da agricultura e das chuvas
- Atar – Deus do fogo
- Haoma – Deus da força e da vitalidade
- Vayu – Deus do vento
- Zorvan – Deus do tempo
- Outras religiões que se encontravam no império persa em minoria eram budismo, judaísmo e cristianismo.
- A religião do zoroastrismo declinou na Pérsia após a conquista árabe.
Esperava que um antigo império tivesse tal variedade quando se trata de religião?















