Cativeiro assírio: Um cativeiro que perdeu tribos na história
O cativeiro assírio foi o período em que o reino setentrional de Israel começou a ser levado em cativeiro pelos assírios aproximadamente de 734 a.C. a 732 a.C. A sua capital foi tomada em 722 a.C. e muitos dos restantes foram deportados a partir de cerca de 680 a.C. A Assíria era o reino da Mesopotâmia setentrional naquilo a que hoje se chama Iraque.
Leia este artigo para descobrir mais sobre o cativeiro assírio.
Exílio assírio
Após o reinado do rei Ashur-Dan III na Assíria, a autoridade reinante seguinte praticou a política de reassentamento com um planeamento governamental cuidadoso para aumentar a população e reforçar o império. O monarca em exercício, rei Tiglate-Pileser (Pul), conquistou primeiro o reino setentrional de Israel e levou-o para o exílio.
Depois o rei Tiglate-Pileser designou o rei Oseias, o então rei de Samaria, como rei em funções da cidade.
O rei Oseias pagava tributos ao império assírio em troca da protecção contra outras invasões. Contudo, quatro anos depois, o rei Oseias rebelou-se e começou a dar presentes ou tributos ao rei do Egipto, provavelmente para obter um aliado e libertar-se do controlo assírio.
O passo seguinte
Desta vez o cativeiro de Israel foi prosseguido pelo sucessor do rei Pul, Salmanasar V. Após descobrir a revolta liderada pelo rei Oseias, o rei Salmanasar V interveio e efectuou a deportação em massa dos israelitas para quebrar a sua unidade e identidade nacional. Pôs cerco à capital do reino setentrional de Israel, Samaria.
Contudo, o rei Salmanasar V não era tão hábil nas campanhas militares como o rei Tiglate-Pileser. O cerco durou três anos, até à morte do rei Salmanasar V.
Em seguida, Israel foi invadido com sucesso pelo rei Sargão II. O rei Sargão II levou em cativeiro os habitantes de Samaria, capital de Israel setentrional. Novas vagas de cativeiro continuaram sob os reinados de Esaradão e Assurbanípal, conduzindo à queda total de Israel nas mãos da Assíria e ao seu apagamento da história.
Invasão assíria
A invasão assíria não se limitou ao reino setentrional de Israel. O rei Sargão II desejava expandir ainda mais as fronteiras assírias e reforçar o próprio poder iniciando um cerco à capital do reino meridional de Israel, Jerusalém.
Contudo não teve sucesso devido, segundo se conta, à intervenção do Senhor (o Deus de David), que protegeu a terra reforçando o seu exército como o Senhor Deus tinha prometido ao seu crente e seguidor, o rei Ezequias.
O cativeiro não era novo ao reino de Judá segundo a história, pois experimentaram também um exílio na Babilónia. Contudo, ao contrário de Israel, as tribos meridionais foram capazes de regressar e recuperar a sua terra e identidade.
Terror assírio
Um dos fundamentos do Império assírio era o seu exército. Eram conhecidos pelas tácticas militares e a eficácia em combate que semeavam terror entre os países vizinhos do Próximo Oriente. Eram brutais com quem se rebelava à soberania assíria, pois decapitavam, executavam, saqueavam e queimavam até aos alicerces tudo o que era inútil.
Estas actividades brutais não eram meros actos de vontade dos soldados. Algumas fontes dizem que eram comissionados com base em quantos inimigos conseguiam matar; em troca recebiam uma enorme parcela de terra como recompensa pela lealdade e coragem. A conquista assíria de Israel trouxe-lhes boa fortuna, para não falar do acesso às vastas terras e aos recursos naturais de Israel.
As consequências
Sob o reinado do rei Tiglate-Pileser, o Império assírio era a força militar mais eficaz que forneceu um modelo para os exércitos futuros em termos de organização, treino, tácticas e eficiência. Eram tão poderosos na época que eram capazes de capturar outras nações de forma espontânea.
Esta liderança foi seguida pelo seu sucessor, rei Salmanasar V, que não foi tão eficaz nas campanhas militares em comparação com o seu sucessor, rei Sargão II, que conquistou com sucesso Samaria, manteve a coesão do império, expandiu as fronteiras e melhorou a legislação e a administração durante a sua regência.
As Dez tribos perdidas
Originalmente, a nação de Israel consistia em 12 tribos, e só no fim da monarquia unida do rei Salomão Israel foi dividido em dois reinos: Judá e Israel. Duas tribos do reino meridional de Israel eram as tribos de Benjamim e de Judá.
O reino setentrional de Israel consistia em 10 tribos, a saber Aser, Dan, Efraim, Gad, Issacar, Manassés, Rúben, Neftali, Simeão e Zabulão. Estas tribos tomavam o nome de todos os filhos e netos de Jacob.
Escrito nas Escrituras
Segundo o relato bíblico, o primeiro exílio de Israel na Assíria envolveu a tomada das tribos dos rubenitas e dos gaditas, bem como metade da tribo de Manassés. Foram levados a Hala, Habor, Hara e ao rio Gozan (1 Crónicas 5:26).
O cativeiro assírio de Israel dispersou as restantes tribos do Israel setentrional nas províncias assírias da Alta Mesopotâmia para quebrar a sua unidade.
Os israelitas setentrionais não conseguiram recuperar a própria identidade nacional e o próprio país, e a sua linhagem perdeu-se na história.
Não há qualquer relato certo do que aconteceu às restantes tribos. Contudo, com base nas Escrituras, algumas das tribos de Aser, Zabulão e Manassés foram refugiar-se em Judá para se reconciliarem com Deus após terem sido convidadas para a Páscoa pelo rei Ezequias.
Alguns estudos debateram que nem todas as tribos foram de todo deportadas para terras estrangeiras, pois algumas permaneceram e tornaram-se escravas. Ainda assim, enquanto Israel esteve ocupado pelos assírios ao longo dos anos, a mistura de identidades e cultura suprimiu as informações sobre as suas tribos da história.
Base bíblica
Segundo as sagradas escrituras, uma das razões pelas quais Israel foi conquistado pelos assírios foi porque já não temiam o Senhor de David, ou alguns ainda o faziam mas serviam os próprios deuses, criavam os próprios rituais e estátuas entre as nações e transmitiam-nos aos filhos dos filhos. O aspecto pior incluído nos seus rituais era oferecer os próprios filhos e filhas em sacrifício aos próprios deuses.
Criaram imagens esculpidas de animais e cometeram acções malignas. O profeta Isaías avisou-os para se arrependerem, mas não escutaram. O Senhor viu isto e indignou-se tanto que os afastou da sua vista. O Senhor de David permitiu a conquista assíria de Israel como meio de os punir pelo culto pagão, as injustiças e por terem virado as costas a Deus.
Os israelitas foram levados para a Assíria e a história de Israel desvaneceu-se. Os descendentes restantes dos seus antepassados foram mais tarde chamados «samaritanos» nos tempos de Cristo no Novo Testamento. Este título significa pessoas impuras e más devido à sua linhagem mista e à rejeição do culto baseado no templo.
O cativeiro assírio não foi sequer de todo fácil. Depois de os assírios ocuparem Israel, os novos residentes não conseguiram fazer prosperar a nação. Considerando que ainda era a terra santa e prometida de Deus, o rei da Assíria enviou um sacerdote israelita a instruir e celebrar práticas para os novos residentes a fim de adorar Jeová (o nome hebraico de Deus).
Verdades alternativas do Apócrifo
Apócrifo ou «o oculto» significa em geral os livros do povo hebraico que não foram incluídos na Bíblia hebraica. Muito provavelmente, como os israelitas foram mantidos em cativeiro devido à sua maldade, aceitaram a cultura pagã assíria.
Contudo, um dos livros do Apócrifo afirma que alguns dos prisioneiros se deram conta dos próprios erros. Portanto arrependeram-se e procuraram refúgio em países setentrionais onde nenhum homem tinha habitado antes, e alguns fugiram mesmo em segurança para o reino de Judá.
Cuneiforme assírio
O cuneiforme descoberto provém do rei Sargão II. Dizia respeito a como ele tomou o controlo da terra de Samaria. Registou a sua primeira campanha, tendo capturado um total de 27.290 samaritanos.
O rei Sargão II reconstruiu a cidade e estabeleceu-se nela, tornando-a uma grande cidade em comparação com o que era antes. Este cuneiforme do rei Sargão II sobre a derrota de Israel era até um evento menor na herança de Sargão II, segundo alguns historiadores. Eis quão poderoso era o rei assírio naquela época.
Breve aprofundamento
Após o bem-sucedido cerco da capital de Israel, Samaria, os assírios mostraram todo o seu poder ao governar o país durante tantos anos, conduzindo à perda das 10 tribos setentrionais de Israel na história. Os assírios eram conhecidos como inovadores militares e conquistadores impiedosos para com os seus prisioneiros, com uma política de reassentamento para deportar ou expulsar as pessoas e reduzir a probabilidade de rebelião.
A queda do reino setentrional de Israel foi uma das invasões históricas da Assíria com base nos eventos mostrados pelos dados arqueológicos e de um ponto de vista escriturístico, sobretudo sobre como a Assíria conquistou Israel durante um período. Qual poderia ser a razão por detrás deste cativeiro da cidade-estado tornada território do império de Israel, e quais podem ser os relatos bíblicos deste evento histórico.
Uma última menção
Flávio Josefo, historiador judeu do século I, registou no seu tempo que «existem apenas duas tribos…sujeitas aos Romanos, enquanto as dez tribos estão além do Eufrates até agora, e são uma multidão imensa, e não de estimar em números.» Flávio Josefo referia-se ao império da Pártia. A fronteira entre Roma e a Pártia era o rio Eufrates. O vasto território da Pártia incluía as áreas onde os antigos israelitas prisioneiros assírios tinham sido reassentados, portanto no século I havia a crença de que não só tinham permanecido lá, mas que até se tinham multiplicado e prosperado.
Conclusão
Revejamos o que tratámos no artigo:
- A deportação e o reassentamento dos lugares conquistados estavam entre os métodos do Império assírio para manter e reforçar território e poder.
- Intrometer-se no reino de Israel foi decididamente uma boa decisão devido aos seus ricos minerais, à produção agrícola e às vastas planícies costeiras para os residentes que queriam prosperar.
- Estas informações limitadas devido à falta de documentos não impediram os investigadores de encontrar e incorporar estes importantes eventos da história.
Quer o cativeiro assírio fosse secular ou tivesse uma intervenção divina, ou que a Assíria fosse descrita como maligna nas escrituras mas boa nas inscrições assírias, o ponto é que as suas acções já fazem parte da história da qual qualquer pessoa pode certamente aprender.













