Símbolos na Odisseia: qual é o seu significado?
Os símbolos na Odisseia podem também ser vistos como alegorias na Odisseia; no entanto, pode parecer que o poema é apenas a história de um herói grego e do seu regresso a casa enquanto combate numerosos monstros e fenómenos sobrenaturais. Aqui examinámos alguns dos sinais visuais mais notáveis da narrativa, como o sudário de Penélope, o arco de Ulisses, o mar, Ítaca e muitos outros. O poema explica o significado dos símbolos usados por Ulisses e o que representam. À medida que ler mais deste artigo, descobrirá ainda mais sobre eles.
Quais são os símbolos na Odisseia?
O sudário de Penélope que tece de dia e desfaz de noite, o arco e a flecha de Ulisses, o mar, Ítaca, o leito nupcial, Argos, a comida e a águia são todos considerados símbolos no poema épico e têm significados profundos. São vistos como a representação de uma interpretação mais profunda.
A sua importância
Os símbolos na Odisseia são essenciais porque veiculam significados mais profundos do que a simples tradução literal na história. Estes significados mais profundos são o que torna este poema um romance épico no qual o leitor se pode relacionar com as aventuras de Ulisses enquanto encontra e supera um desafio de cada vez.
Os símbolos da Odisseia
O simbolismo na literatura refere-se a temas, noções ou imagens que estão no lugar de um significado mais profundo. É uma das técnicas literárias empregues pelos autores para veicular ideias que vão além do que é dito. A Odisseia tem muitos símbolos significativos, como seria de esperar de uma obra deste calibre.
O sudário de Penélope
Também chamado o sudário de Laertes, este é um manto que Penélope está a tecer para o eventual funeral do sogro Laertes, seu pai. Pode parecer ordinário, pois as mulheres gregas da época costumavam fazer isto, mas no caso de Penélope tem um propósito e um significado maiores. Representa o amor de Penélope pelo marido, que foi o que a impeliu a enganar os pretendentes.
Após a guerra de Troia, não havia notícias sobre se o marido de Penélope, o herói grego, ainda estava vivo e regressaria. Com isso, numerosos pretendentes vieram pedir a mão de Penélope em casamento. No entanto, a rainha de Ítaca não renunciou ao marido.
Procurou afastar todos os pretendentes de uma vez, mas não os pôde conter muito mais tempo, ano após ano. Enquanto isto acontecia, tecia o sudário e concentrava-se mais nas suas esperanças de ver o marido, em vez de se deixar distrair pelo mundo exterior.
Em breve os pretendentes tornaram-se agressivos e ameaçaram também a coroa e o palácio. Como rainha da terra, sabia a sua responsabilidade para com o povo de Ítaca e tinha de escolher um marido adequado a ser rei em breve. Como lhe faltava a força física para combater os pretendentes e afastá-los, idealizou um plano para os conter o mais que pudesse.
A mulher de Ulisses enganou-os anunciando que só escolheria um marido quando terminasse o manto que estava a tecer para o sogro. Ninguém suspeitou de nada porque todos podiam ver a rainha tecer o manto durante o dia, mas ela desfazia-o de noite.
O acto de fazer isto é uma representação do compromisso com a relação; agora tem o controlo e pode manter os pretendentes à espera do seu anúncio. O herói grego tinha de certo escolhido uma mulher sábia e determinada e a rainha demonstrou-o de imediato.
O arco e a flecha de Ulisses
Outra representação da astúcia de Penélope foi a competição em que desafia todos os seus pretendentes a usar o arco do marido para atravessar 12 machados e quem o conseguir casará sem questão. A mulher de Ulisses estava confiante de que ninguém era capaz de o executar senão o próprio rei, pois o arco fora originalmente propriedade de Éurito, neto de Apolo.
O arco representa de forma significativa a superioridade das habilidades de Ulisses como rei. A sua proeza física implica também que nenhum dos pretendentes está qualificado para ser rei de Ítaca, pois ninguém se aproximou de o retesar. Só por diversão, Telémaco, o filho deles, também o experimentou e quase o conseguiu à quarta tentativa. Mostra apenas que, como é o filho do rei, o tinha em si e era também capaz de governar Ítaca, que era exactamente o que o arco e a flecha representavam: a força e a unicidade do rei.
No entanto, todos foram superados pelo herói grego, que retesou com sucesso o arco à primeira tentativa. Este acto demonstra o domínio de Ulisses sobre os pretendentes. Restabeleceu a sua posição legítima como o monarca mais poderoso de Ítaca mesmo depois de ter andado perdido no mar durante quase uma década.
O mar
Como a Odisseia se concentrava na viagem de regresso de Ulisses de Troia a Ítaca, em que o único caminho é através do mar, o mar tornou-se o cenário primário do romance e tornou-se um dos temas na Odisseia. Assim, aparecia frequentemente como um símbolo em si. Simboliza a viagem de um homem através da vida, que é imprevisível e cheia de alegria e dor.
Tal como o mar está cheio de mistério e ondas, o mesmo se passa com a vida de qualquer humano, cheia de altos e baixos. O rei não podia derrotar as ondas, o navio e a parte em que ficou bloqueado e, do mesmo modo, quando a luz é lançada sobre o mar, neste poema, é o símbolo da vida.
O mar desempenhou também um papel significativo quando o herói grego irou Posídon, o deus do mar, ao cegar Polifemo o ciclope, um dos filhos de Posídon. Para assegurar que o herói grego sentisse a sua ira, o deus do mar fez tudo o que pôde, incluindo enviar monstros e suscitar tempestades. Tornou a viagem mais difícil e levou à morte de todos os seus soldados ao longo do caminho, deixando apenas o rei a regressar a casa.
O leito nupcial
O leito nupcial, ou a cama de casal do rei e da rainha de Ítaca, representa o amor inabalável do casal um pelo outro que nem a ausência de 10 anos do rei nem os pretendentes decididos da rainha podem quebrar, e é assim que mostra a lealdade mútua para além da confiança.
No romance, o que distingue este leito do resto é que tem um segredo que só o casal conhece. Nenhum servo tinha visto o leito feito de uma oliveira antes de o rei zarpar para Troia. O leito é imóvel, tal como o amor do casal, representando as sólidas fundações da união deles.
Quando o herói grego regressou a Ítaca e encontrou os muitos pretendentes agressivos em torno do palácio, disfarçou-se inicialmente de mendigo. Ninguém sabia que era ele excepto Telémaco. No entanto, a sábia rainha pôs o rei à prova através da sua sabedoria.
Ordenou ao servo que deslocasse o leito, para grande surpresa do rei, que ainda estava disfarçado. Isso confirmou o que a rainha suspeitara durante todo o tempo: que o mendigo não era outro senão o rei, o homem que amara toda a vida. No conjunto, o deslocamento do leito mostra o amor e a unidade deles porque só ele tinha a capacidade de o mover.
O cão de Ulisses
Argos é o cão doméstico de Ulisses em Ítaca e Argos pode ser visto como um símbolo de fidelidade e lealdade ao seu dono, mesmo na sua ausência. Para além da mulher e do filho de Ulisses, o seu cão demonstrou a lealdade para com ele. Esta persistência impediu também Argos de morrer até o dono regressar.
Quando o rei finalmente regressou a Ítaca, foi forçado a usar um disfarce para se poder livrar com sucesso de todos os pretendentes molestos. A caminho do palácio viu o seu cão doméstico Argos, coberto de esterco de porco e de vaca. Outrora ágil, forte e conhecido pelas suas excepionais habilidades de rastreio, agora está fraco, sujo e à beira da morte.
Ao ver o antigo dono, mesmo disfarçado, Argos reconheceu-o imediatamente e reuniu toda a força restante para abanar a cauda, baixar as orelhas e dar-lhe as boas-vindas. No entanto, não o conseguiu e, assim que o herói grego se foi embora, Argos morreu. Pode-se assumir que só esperou ver o dono mais uma vez antes de sucumbir à morte e o modo como esperou é um retrato da sua lealdade e do seu amor por ele.
A ilha de Ítaca
Ítaca era a ilha onde o herói grego termina a sua viagem no livro, servindo de metáfora de casa. Está no lugar da localidade para onde o protagonista do livro anseia regressar, onde a mulher e o único filho o aguardam.
Estar junto da mulher e do filho no conforto da sua casa, ter o prazer de gastar a riqueza que acumulou, comer refeições caseiras que amava desde criança e dormir no leito que construiu eram as coisas de que o rei se sentia saudoso em relação a Ítaca. Pensar nisto manteve-o de pé e a não desistir, mesmo que tenham sido necessários dez anos e numerosas tempestades, combater vários monstros e fugir das suas amantes e carcereiras ninfas.
O rei de Ítaca alcançou finalmente a pátria, e no entanto a sua viagem não terminou aí. Todos os pretendentes de Penélope ainda estavam presentes no palácio, por isso o rei tinha outro desafio a enfrentar. Agora, neste caso, isto é um símbolo de resistência.
Puderam idealizar uma estratégia para derrotar os pretendentes com a assistência da deusa fiável Atena, do seu filho e de dois pastores devotos. O clímax do romance ocorreu finalmente quando o herói grego foi restaurado ao trono como soberano de Ítaca, onde estava de novo em casa com a família.
A comida
Apesar de as associações com a comida serem prevalecentes na literatura e descreverem frequentemente banquetes e celebrações, na Odisseia supõe-se que conduzam a eventos infelizes. A comida representa a raiz do comportamento irreflectido que resultou por fim nas mortes das vítimas e nos desafios futuros para a personagem principal, e que se transformou em gula.
Semelhante ao que aconteceu no caso do gado precioso de Hélios, o herói grego e os seus homens foram avisados desde o início para não tocarem nas criaturas preciosas do deus do Sol. No entanto, por causa da fome, cederam à tentação de abater o gado e consumi-lo. Como exigido pelo irado Hélios a Zeus, esta acção causou as mortes dos seus homens com um só raio.
A comida era também usada para descrever um traço negativo dos monstros que o protagonista principal encontrou. O Ciclope, também retratado como um glutão que devora as vítimas como evidenciado no seu vómito, e Cila, que engoliu um dos soldados de Ulisses por cada uma das suas seis cabeças, servem de exemplos disto, o que no conjunto mostra que era furioso e queria devorar as coisas simples.
O presságio da águia
Uma águia, que apareceu pelo menos quatro vezes no romance, é também considerada um símbolo e um presságio. Aparece pela primeira vez quando Zeus informa Telémaco de que vai procurar informações sobre a localização e o estatuto do pai e acabou por encontrar o amigo do pai, Menelau. Zeus apresentou-se numa visão de duas águias que combatiam até à morte. Foi interpretado por uma pessoa experiente em mitos como a iminente derrota dos pretendentes.
Por outro lado, outro presságio apareceu quando Telémaco estava prestes a regressar a Ítaca. Desta vez a águia tinha um ganso nas garras e isto mostrava o oposto de cada águia, porque este era um símbolo-chave de esperança e foi assim que Telémaco o interpretou como prova de que Zeus o estava a ajudar.
Conclusão
Na Odisseia de Homero, o poema épico contém muitos desafios que o protagonista tinha de superar antes de poder regressar à família e a casa. Muitas pessoas acreditam que estes desafios representam verdades mais profundas do que simples metáforas. Abaixo estão as notas-chave a recordar:
- O símbolo de Penélope é o sudário que continua a tecer durante o dia e continua a desfazer de noite. Este é um dos símbolos mais em evidência no romance épico.
- O sudário representa um certo número de coisas, incluindo o amor eterno e a fidelidade de Penélope ao marido, a sua astúcia e o seu engano dos pretendentes.
- Outro símbolo distinto do romance é o símbolo do arco de Ulisses, que representa a proeza física do rei e o domínio sobre todos os outros homens, especialmente os pretendentes que não conseguiram aproximar-se de retesar o arco.
- Os símbolos de Telémaco representam a fé. Mesmo que não fosse respeitado e honrado como um rei substituto igual e qualificado de Ítaca pelos pretendentes, não tinha renunciado à esperança de procurar e encontrar o pai. Acreditava que os deuses o ajudariam e tinha razão.
- O mar e Ítaca são ambos símbolos geográficos que representam o destino da viagem no romance. O mar tornou-se também o cenário principal do poema pois era o único caminho de casa de Troia a Ítaca.
Na mitologia grega a história é mais ampla do que isto pois é uma ilustração perfeita da viagem de um homem através da vida. Mostra que as consequências das acções de alguém podem resultar em situações que mudam a vida, tal como aconteceu ao herói grego quando incorreu na ira de Posídon.









