Bispo David, tio do rei Artur
David foi uma figura muito famosa e importante do País de Gales no período arturiano. Não só foi importante historicamente, mas teria sido também alguém da família de Artur. Segundo uma grande fonte arturiana, David era o tio do rei Artur. Quem foi realmente David, e há algum fundamento para a tradição que o quer tio de Artur?
Um dos eventos mais significativos da sua vida foi quando sucedeu a Dubricio como bispo mais preeminente do País de Gales meridional. Isto aconteceu no sínodo de Brefi, no sudeste da região.
Segundo a lenda, neste sínodo David falou contra o ensino do pelagianismo. Os seus pares o sustentaram de modo esmagador e o elegeram bispo chefe da região. Dubricio retirou-se e David transferiu o arcebispado para o próprio território em Menevia.
Já no século X encontramos provas no poema Armes Prydein de que David era tido como o chefe de todos os santos britânicos.
A família de David
O que sabemos da família de São David? Não temos registos sobre ele que sejam mesmo só remotamente contemporâneos. A fonte principal da sua vida vem da Vida de São David, escrita por volta de 1100 por uma figura de nome Ricemarchus, ou Rhygyfarch.
Segundo esta fonte, os pais de David foram Sanctus e Nonita. Muitos estudiosos entendem estes como nomes simbólicos, que significam simplesmente «santo» e «monja». Sanctus é apresentado como filho de Ceredig, filho de Cunedda Wledig. Algumas versões posteriores da sua genealogia inserem outra figura, Cedig, entre Sanctus e Ceredig.
A mãe de David, Nonita, é mais comumente chamada Non nos documentos galeses. É tornada filha de uma figura de nome Cynyr de Caer Gawch. A identidade de Cynyr em si é em parte um mistério, pois nessa época houve várias figuras com aquele nome.
Segundo a Vida de São David, David foi filho único, pois Non nunca teve relações com mais ninguém após ter dado à luz David.
Quando viveu David?
A questão de quando viveu David é bastante controversa, embora todas as autoridades concordem que a sua carreira se desenrolou predominantemente no século VI. O que tem ampla aceitação é a data aproximada da sua morte, que os estudiosos situam para o fim do século VI.
Os Annales Cambriae, uma crónica latina escrita no País de Gales no século X, põem a sua morte em 601. Vários anais irlandeses situam a sua morte entre 587 e 589. A maior parte dos estudiosos hoje aceita que a sua morte ocorreu por volta desse período, entre o fim dos anos 580 e cerca de 600. Isto é sustentado por David Farmer, Patrick Sims-Williams e Rachel Bromwich.
Por outro lado, a questão do seu nascimento é de longe mais controversa. A Vida de São David afirma que morreu à idade de 147 anos. Em linha com isto, algumas versões dos Annales Cambriae situam o seu nascimento nos anos 450.
A Vida de São David diz-nos que David nasceu trinta anos após o famoso São Patrício se ter dirigido à Irlanda. Isto foi tradicionalmente datado por volta de 432, mas o problema é que há clara evidência de que esta data foi tomada das datas de Paládio, um pregador precoce que se dirigiu à Irlanda. Na realidade simplesmente não sabemos quando Patrício lá se dirigiu, mas tudo indica que foi na segunda metade do século V.
Isto indicaria que David nasceu para o fim do século V, ou talvez até no início do VI. Não podemos ter a certeza, mas se aceitamos que a sua morte é para o fim do século VI (como faz a maior parte das autoridades), então não pode ter nascido muito antes disto.
Ligação com o rei Artur
David não aparece em muitas fontes arturianas. Contudo, há duas grandes ligações que o unem ao lendário rei.
Bispo chefe da corte de Artur
A mais simples aparece nas Tríades galesas, uma recolha de tradições sobretudo sobre o período arturiano.
Uma destas tríades fala dos Três Tronos tribais da Ilha da Britânia. A primeira corte real é descrita assim:
“Arthur the Chief Lord at Menevia, and David the chief bishop, and Maelgwn Gwynedd the chief elder.”
Artur é o senhor chefe de todas as três cortes mencionadas nesta tríade. Segundo isto, David era o bispo chefe desta corte real. Isto faz sentido historicamente, pois Menevia era realmente a sede do seu bispado, independentemente da historicidade de Artur ou do seu poder sobre aquela zona.
Tio do rei Artur
Outra ligação de David com Artur vê-se na Historia Regum Britanniae. Foi escrita por Godofredo de Monmouth por volta de 1137. Godofredo não diz muito sobre David. De facto menciona-o uma só vez. Contudo, nesta única aparição inclui um detalhe muito interessante:
“But Saint Dubricius, from a pious desire of leading a hermit’s life, made a voluntary resignation of his archiepiscopal dignity; and in his room was consecrated David, the king’s uncle, whose life was a perfect example of that goodness which by his doctrine he taught.”
Sem fazer disso um grande ponto, Godofredo inclui a observação fugaz de que David era o tio do rei. Não oferece ulteriores informações sobre como exactamente as duas figuras eram aparentadas.
Felizmente, a palavra latina usada por Godofredo é mais específica do inglês «uncle». Usou a palavra «avunculus». Esta refere-se especificamente a um tio materno. Portanto isto mostra que David era aparentado com Artur através da mãe de Artur.
Qual era a ligação familiar?
Presumivelmente, isto significava que David era o irmão da mãe de Artur. Em alternativa, talvez pudesse ser usado em sentido um pouco mais amplo para indicar que David era seu cunhado, casado com sua irmã.
Isto é contudo improvável, pois era um bispo e não há vestígio de casamento ou de filhos. Portanto parece precisamente que devia ser o irmão da mãe de Artur.
Outra possibilidade é que a palavra seja usada mais amplamente para se referir a um parente mais idoso, como um tio-avô. Ainda assim, o estudioso Peter Bartrum notou que não havia vestígio desta presumida relação em nenhuma das genealogias sobreviventes.
A única ligação que encontramos nos documentos galeses é algo que se vê apenas em poucos manuscritos. Nestes encontramos a afirmação de que Non, a mãe de David, era filha de Anna, filha de Uther Pendragon.
O problema é que isto tornaria a mãe de David neta do rei Artur, o que significaria que Artur seria o tio-avô de David. Isto é de facto o oposto do que Godofredo descreveu.
O filho de Gwrgan Fawr
Uma possível explicação disto está ligada à teoria de que o rei Artur possa ser identificado com o histórico Athrwys ap Meurig do País de Gales sudeste. Seu avô materno era um rei de nome Gwrgan Fawr, ou Gurcantus o Grande.
Recorde-se que os nomes dados aos pais de David, Sanctus e Nonita, parecem nomes simbólicos em vez de verdadeiros nomes pessoais. Sobre esta base, uma teoria propõe que o pai de David possa na realidade ser identificado com Gwrgan, o avô materno de Athrwys.
No Livro de Llandaff, uma recolha de concessões de terras dos reis à Igreja que cobre grande parte do período arturiano, aparece um certo Deui como testemunha de uma das concessões. Esta é uma variante ortográfica de «Dewi», uma forma muito comum do nome de São David. É uma correspondência cronológica para São David, e num ponto foi chamado «sacerdote chefe», a testemunho da sua importância. De facto, é a única pessoa em todo o Livro de Llandaff definida «sacerdote chefe».
Dado que este Deui corresponde ao nome, à data e à área de actividade de São David, para não falar da sua evidente importância, parece razoável concluir que esta figura do Livro de Llandaff era realmente David de Menevia.
O pai de Deui
Sendo assim as coisas, é notável que Deui seja chamado filho de Circan. O nome «Circan» é raríssimo, tanto que é provavelmente uma forma corrompida de um nome diferente. De facto, mesmo só o prefixo «Cir» é extremamente raro nos nomes galeses medievais, ao ponto de ser quase inexistente.
É digno de nota que a letra «c» fosse frequentemente trocada com a letra «g», e vice-versa. Além disso há vários exemplos de «ur» trocado com «ir». Um exemplo vê-se no Livro de Llandaff em si, onde um dos bispos é nomeado variamente «Tirchan», «Turchan», «Terchan» e «Torchan».
Quanto ao nome «Gwrgan», vemos-lo escrito como «Gurcant» e «Gurcan» no Livro de Llandaff. Com base nesta evidência, é razoável interpretar «Circan» como uma forma corrompida deste nome mais familiar.
Cronologicamente, o Deui que aparece no Livro de Llandaff como filho deste Circan adaptar-se-ia perfeitamente como filho de Gwrgan Fawr. Não há prova definitiva disto, mas Gwrgan é a única figura conhecida com aquele nome nesse período.
Se Deui — isto é São David — era filho de Gwrgan Fawr, então isto o tornaria de modo bastante simples o tio materno de Athrwys. Isto forneceria uma explicação lógica do que escreveu Godofredo relativamente a David como tio materno do rei Artur.
A vida de David
Embora não possamos ter a certeza da historicidade de muitos detalhes sobre este bispo, o que se segue é um resumo dos eventos descritos na Vida de São David.
Nascimento e juventude
Sanctus, rei do Ceredigion, dirigiu-se ao Dyfed e violou uma jovem mulher de nome Nonita. Enquanto estava grávida, entrou numa igreja. Mas enquanto escutava o sermão, o pregador se tornou mudo. Isto aconteceu porque a sua criança, ainda no seio, estava destinada a ser maior do que todos os outros pregadores na Britânia.
Após o nascimento, foi baptizado por um bispo de nome Elvis, ou Eilfyw, e depois foi criado num lugar chamado Vetus Rubus. Alguns estudiosos preferiram identificá-lo com Henfynyw no Ceredigion.
Carreira inicial
Após ter crescido, David foi ordenado sacerdote e depois foi a uma ilha viver juntamente com Paulino, discípulo de Germano (isto é Germano bispo da Ilha de Man, não o anterior Germano de Auxerre).
Interessante é que várias outras fontes (como a Vida de São Paulo de Léon e a Vida de Santo Illtud) afirmem que David estudou sob Illtud. Este tinha uma escola muito famosa e popular em Llanilltud Fawr no País de Gales sudeste.
Embora a Vida de São David em si não mencione Illtud nesta veste, isto é muito plausível com tudo o que sabemos daquela época. Talvez estudasse tanto sob Paulino como sob Illtud, ou talvez tanto David como Paulino fossem educados juntos por Illtud.
Um taumaturgo
As hagiografias dos santos medievais atribuem muito regularmente milagres aos santos de que descrevem a vida. David não é excepção. Após ter vivido com Paulino durante dez anos, diz-se que David curou a sua cegueira.
Em seguida viajou pela Britânia meridional e fundou doze mosteiros. Durante este período chegou ao reino de Ergyng e encontrou Peibio (escrito também «Pepiau» ou «Pebiau»). Dizia-se que este rei sofria de cegueira como Paulino. Como no caso anterior, David curou este rei.
Este rei é comumente identificado com Pepiau, o avô de Dubricio. Contudo, por razões cronológicas, isto é impossível. Como David nasceu provavelmente por volta de 500, e este evento ocorreu cerca de dez anos após já ter sido ordenado sacerdote, é improvável que tenha ocorrido antes de cerca de 535.
O Jesus College MS 20 registou a existência de um Pepiau que era na realidade o neto de Dubricio e portanto o bisneto do seu homónimo anterior. O relato galês Culhwch e Olwen atesta também a existência de um rei deste nome no século VI, muito após o reinado de Pepiau, avô de Dubricio.
Assim é evidente que o Pepiau com quem interagiu David era na realidade este neto de Dubricio, não o avô de Dubricio com o mesmo nome, como comumente se crê.
Companheiros
Após ter curado Pebiau, David regressou a Vetus Rubus, o lugar onde tinha crescido. Lá encontrou um parente de nome Guisdianus ou Guistilianus. Parece ter sido o primo paterno ou o sobrinho fraterno de David.
Um anjo apareceu então a David e lhe disse que se dirigisse a um certo lugar, onde depois acendeu um fogo. Com ele estavam os seus três discípulos fiéis. Eram Aidan, Eliud (melhor conhecido como Teilo) e Ismael.
Este lugar chamava-se Rosina Vallis. De humildes inícios, esta localidade acabou por ser um dos lugares mais eminentes do País de Gales medieval.
O mosteiro de São David em Menevia
Neste sítio, David e os seus discípulos construíram um mosteiro. Tornou-se a sede da comunidade religiosa de David em Menevia, que mais tarde se tornou um dos sítios religiosos mais importantes do país.
Muitas pessoas vieram a este mosteiro para serem educadas por David. Um rei de nome Constantino (provavelmente Custennin Gorneu, pai de Erbin e bisavô do Constantino criticado por Gildas no De Excidio) abandonou o seu reino para seguir uma vida religiosa. Dirigiu-se ao mosteiro de David, antes de se transferir para uma terra longínqua após o que foi aparentemente apenas uma visita fugaz.
Um abade irlandês de nome Barre visitou também David em Menevia. Segundo uma versão da Vida de São David, cerca de um terço ou um quarto dos habitantes da Irlanda eram seguidores de David. A historicidade desta afirmação aparece muito duvidosa.
A visita a Jerusalém
Segundo a Vida de São David, David viajou com Teilo e Paterno em peregrinação a Jerusalém. Lá o patriarca de Jerusalém consagrou os três como bispos.
Este evento é sustentado por outros documentos. Por exemplo, a Vida de São Padarn, que descrevia a vida do Paterno que teria viajado com David, refere-se a esta mesma visita a Jerusalém. Também a Vida de São Teilo a ela fez referência. Portanto a visita destas três figuras religiosas é sustentada pelas hagiografias de todas as três.
Além disso, as Tríades galesas descreveram David, Teilo e Padarn como os Três Visitantes abençoados da Ilha da Britânia.
O sínodo de Brefi
Segundo este documento, uma heresia conhecida como pelagianismo começou a difundir-se na Britânia (pelo contrário, muitos estudiosos modernos consideram que o verdadeiro problema eram as penas a impor por certos pecados). Foi convocado um sínodo num lugar chamado Brefi com todos os bispos do país, bem como inúmeros outros. Contudo, devido à imensa multidão, era impossível que todos pudessem ouvir.
Por isso, Paulino recomendou que São David fosse convocado, pois não estava então no sínodo e contudo seria muito útil devido à sua altura. David foi convencido a vir apenas após várias tentativas.
Isto é uma interessante contradição relativamente ao relato na Vida de São Cadoc, em que se dizia que David tinha convocado o sínodo ele próprio.
Uma vez chegado David, começou a pregar contra o pelagianismo (embora isto não fosse provavelmente o verdadeiro tópico do sínodo, segundo os estudiosos). Enquanto o fazia, a Vida de São David referiu que o terreno sob ele se elevou, criando uma nova colina. Assim todos na multidão puderam miraculosamente vê-lo e ouvi-lo. Em seguida sobre aquele ponto foi fundada uma igreja, conhecida como Llanddewi Brefi.
Além disso, David foi desde então consagrado arcebispo da Britânia, e o seu sítio religioso em Menevia foi declarado metrópole religiosa.
A data do sínodo de Brefi
Nas obras de referência modernas, o sínodo de Brefi é variamente datado por volta de 540, 550 ou 560. E contudo este importante evento da vida de David não é datado explicitamente em nenhuma das fontes medievais de que dispomos. De onde vêm portanto aqueles anos propostos, e o que mostra realmente a evidência?
A Vida de São David situa este evento relativamente perto do fim da vida de David. Contudo, um terminus ante quem mais específico é o Sínodo da Vitória. Este é datado de 569 (veja-se abaixo) e é situado na Vida de David pouco após a descrição deste primeiro sínodo. Isto sugere que o sínodo de Brefi ocorreu não demasiado tempo antes de 569.
Além disso, podemos datar este evento da outra direcção usando a Vida de São Cadoc. De evidências genealógicas, o nascimento de Cadoc pode ser datado por volta de 520. A sua Vida situa explicitamente pelo menos vinte e dois anos entre o seu nascimento e o sínodo de Brefi. Isto daria uma data mais antiga possível de 542 para o sínodo.
Dado que vários eventos descritos na Vida antes desse ponto se desenrolaram provavelmente ao longo de vários anos, embora o arco temporal que cobrem não seja explicitamente declarado, o sínodo ocorreu provavelmente um bom bocado após 542. Por exemplo, não é mencionado o tempo que Cadoc empregou a construir o seu primeiro mosteiro, nem o lapso de tempo entre a conclusão daquele mosteiro e a sua viagem à Irlanda.
Portanto a evidência indica que o sínodo de Brefi ocorreu um bom bocado após 542, mas não demasiado tempo antes de 569. Uma data por volta de 560 parece razoável.
Nas lendas arturianas
Este evento vê-se também nas lendas arturianas. Embora o sínodo de Brefi não seja mencionado pelo nome, uma clara referência a ele se vê na Historia Regum Britanniae de Godofredo de Monmouth. Lá lemos:
“But Saint Dubricius, from a pious desire of leading a hermit’s life, made a voluntary resignation of his archiepiscopal dignity; and in his room was consecrated David, the king’s uncle, whose life was a perfect example of that goodness which by his doctrine he taught.”
Aqui lemos de David que se torna arcebispo da Britânia no lugar de Dubricio. Este relato desenrola-se aproximadamente no tempo da coroação especial de Artur, cerca de doze ou treze anos após a batalha de Badon.
Os últimos anos da vida de David
Algum tempo depois, ocorreu outro sínodo. É conhecido como o Sínodo da Vitória. Este realizou-se em Caerleon no País de Gales sudeste. Aparece nos Annales Cambriae, uma crónica do século X sobre os eventos da Britânia medieval. Lá o Sínodo da Vitória é datado de 569. Este sínodo consolidou as decisões tomadas no anterior.
Após isto, não houve ulteriores informações sobre as actividades de David antes da sua morte. A Vida de São David afirmava que atingiu a idade de 147 anos. Como já vimos, a maior parte dos estudiosos considera que morreu por volta de 587.
Nas lendas arturianas
A morte de David é mencionada também na Historia Regum Britanniae. Esta foi a única outra aparição de David no texto arturiano de referência de Godofredo. Esta segunda aparição foi situada não demasiado tempo após a morte do próprio Artur.
Ao descrever o reinado de Constantino, sucessor do rei Artur, Godofredo mencionou que São Daniel (também conhecido como Deiniol) morreu. Os Annales Cambriae registam a sua morte em 584. Godofredo prosseguiu depois dizendo:
“At the same time also died David, the pious archbishop of Legions, at the city of Menevia, in his own abbey; which he loved above all the other monasteries of his diocese, because Saint Patrick, who had prophetically foretold his birth, was the founder of it. For during his residence there among his friars, he was taken with a sudden illness, of which he died, and, at the command of Malgo, king of the Venedotians, was buried in that church.”
Segundo isto, David morreu aproximadamente no mesmo período de Daniel (isto sustenta uma data nos anos 580 para a sua morte, em linha com a de Daniel, em vez de no início de 600). Isto ocorreu durante o reinado de Constantino após a morte de Artur, e a sua sepultura em Menevia ocorreu por ordem de Maelgwn Gwynedd.
Embora isto contradiga as datas populares do reinado de Maelgwn, é coerente com algumas das primeiras informações cronológicas sobre ele que, como evidenciado por Rachel Bromwich, o situam no final do século VI.
Conclusão
Em síntese, São David foi uma figura religiosa muito eminente do século VI, a época do rei Artur. Já no século X David era tido como o chefe de todos os santos da Britânia. Teria sido o tio do rei Artur. Embora a presumida ligação entre eles não seja clara, isto pode ser explicado por David como filho do rei Gwrgan Fawr de Ergyng.
David foi uma figura religiosa eminente durante grande parte da carreira, mas subiu à máxima proeminência no sínodo de Brefi, que provavelmente ocorreu por volta de 560. Lá se tornou arcebispo dos Britões. A lenda posterior situa isto no tempo da coroação especial de Artur. Por fim morreu por volta de 587, data que a lenda arturiana situa no reinado do sucessor de Artur, Constantino.
Fontes
Bartrum, Peter, A Welsh Classical Dictionary, 1993
Bromwich, Rachel, Trioedd Ynys Prydein: Fourth Edition, 2014
Livingston, Elizabeth A. & Cross, Frank Leslie, The Oxford Dictionary of the Christian Church, 2005
Reno, Frank D., The Historic King Arthur: Authenticating the Celtic Hero of Post-Roman Britain, 2007
Howells, Caleb, King Arthur: The Man Who Conquered Europe, 2019












