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Como a estrutura social da Mesopotâmia ainda influencia o nosso mundo hoje

A estrutura social mesopotâmica diferia da das outras civilizações que a superaram. Além disso, ao contrário das outras grandes civilizações, a Mesopotâmia nunca foi uma única civilização.

Reis mesopotâmicos

Em vez disso, muitos povos diferentes floresceram na Mesopotâmia num período que abrangeu vários milénios, da ascensão de Sumer ao colapso final do Império neo-babilónico e à sua conquista por parte dos Persas sob Ciro o Grande.

A Mesopotâmia nunca constituiu uma única civilização unificada mas foi casa de uma sucessão de civilizações que partilhavam uma cultura e um modo de vida semelhantes. Neste artigo, exploraremos a estrutura social da Mesopotâmia e os seus efeitos duradouros no mundo.

Mesopotâmia: a terra entre dois rios

A geografia da Mesopotâmia desempenhou um papel vital em moldar as civilizações que floresceram durante milhares de anos naquilo que hoje é o Iraque, o Kuwait, partes do Irão, da Turquia e da Síria. O nome Mesopotâmia vem do grego e denota uma terra situada entre dois rios.

O crescente fértil entre os rios Tigre e Eufrates é comumente chamado pelos historiadores o** berço da civilização**. Nesta terra fértil, os humanos começaram a praticar a agricultura em escala maciça, levando à acumulação de bens e à construção de grandes cidades.

O primeiro sistema de escrita do mundo emerge na antiga Sumer

Sumer foi a primeira civilização a emergir na Mesopotâmia. Aos sumérios é creditada a invenção da escrita, da roda, da irrigação e dos instrumentos de cobre, entre outras coisas. Os sumérios foram os primeiros a escrever em tábuas de argila usando uma escrita cuneiforme. Graças a estes relatos sobreviventes, sabemos muito sobre como funcionava a sua sociedade.

Um resumo muito breve da história mesopotâmica

Provas de assentamentos humanos na Mesopotâmia remontam a 10.000 a.C. mas não seria até 4500 a.C. e à ascensão de Sumer, na Mesopotâmia meridional, que a região viu a ascensão da primeira verdadeira civilização.

Os sumérios estavam divididos em numerosas cidades-Estado independentes governadas por reis e sacerdotes. As cidades-Estado sumérias floresceram durante um período mais longo de 2.000 anos até quando o declínio da produtividade agrícola, a instabilidade política e a mudança climática, bem como as invasões estrangeiras, resultaram na sua eventual conquista por parte dos acádios.

Guerreiro sumério com a lança

Os acádios de língua semítica, sob Sargão o Grande, construíram um dos primeiros impérios da história.

A ascensão da Assíria e da Babilónia

A língua acádica tinha eventualmente substituído o sumério como a principal língua falada da Mesopotâmia, embora o sumério tenha sobrevivido como língua litúrgica usada nas cerimónias religiosas. Após a queda do Império acádico, a Mesopotâmia foi dividida entre duas nações de língua acádica, a Assíria a norte e a Babilónia a sul.

O Primeiro Império babilónico sob Hamurabi, centrado na cidade de Babilónia, inaugurou uma nova era para a Mesopotâmia, caracterizada pela introdução do código de leis conhecido como Código de Hamurabi.

O Império de Hamurabi revelar-se-ia de curta duração, no entanto. Após a sua queda, a Mesopotâmia permaneceu politicamente fragmentada entre reinos assírios a norte e Cassitas, Elamitas e Arameus na Mesopotâmia meridional e central.

Os assírios constroem o primeiro verdadeiro império

O crescente poder do Império hitita na Anatólia, e a sua rivalidade com o Egipto no Levante e na Alta Mesopotâmia, resultou no eventual enfraquecimento de ambas as nações e na ascensão do Império assírio. A Assíria viria a dominar a Mesopotâmia durante vários séculos.

Sob o Império neo-assírio (912 – 612 a.C.) a cultura mesopotâmica floresceu mas a instabilidade interna levou o outrora poderoso Império de joelhos, resultando na ascensão do Império neo-babilónico (626 – 539 a.C.) sob Nabucodonosor II.

Babilónia tinha de novo se tornado um centro de aprendizagem e uma das cidades maiores e mais ricas do mundo mas a recuperação babilónica foi apenas um breve episódio na longa história da Mesopotâmia.

A ascensão do Império aqueménida persa e a queda de Babilónia às forças de Ciro o Grande (539 a.C.) marcaram o fim da cultura mesopotâmica.

Classes sociais mesopotâmicas

A sociedade mesopotâmica era predominantemente agrícola e altamente hierárquica. A maior parte da gente habitava nas cidades, as maiores das quais por vezes tinham até 50.000 habitantes, como era o caso de Uruk. A estrutura social das cidades mesopotâmicas consistia de várias classes. Estas eram:

  • O rei e a nobreza
  • Os sacerdotes
  • A classe superior
  • A classe inferior
  • Os escravos

Os sacerdotes como soberanos e intérpretes da vontade divina

Os historiadores acreditam que durante a sua história mais antiga, as cidades mesopotâmicas eram governadas por soberanos sacerdotais que interpretavam a vontade dos deuses e reinavam de acordo com os seus desejos. Mesmo antes da ascensão de Sumer, a religião desempenhava um papel central na vida quotidiana do povo na Mesopotâmia meridional.

Antigo relevo de um deus assírio

Os centros de culto que remontam a 5000 a.C. pensa-se agora terem funcionado como importantes centros de peregrinação. Durante este período, parece ter havido pouca distinção entre religião e governo, pois os sacerdotes serviam tanto como líderes religiosos como seculares.

A monarquia aparece na antiga Sumer

Aos antigos sumérios é por vezes creditada a invenção da monarquia como sistema de governo. Assume-se que a realeza foi estabelecida em toda a antiga Sumer por volta de 3600 a.C.

Ao contrário dos soberanos-sacerdotes de outrora, o rei comunicava directamente com o seu povo e emitia éditos de seu direito, em vez de simplesmente interpretar a vontade dos deuses através de presságios. O rei era ainda visto como o representante dos deuses e conduzia cerimónias religiosas. Os reis reinavam segundo a vontade divina e as suas leis eram, por conseguinte, divinamente inspiradas.

Por causa do facto de a Mesopotâmia ser casa de muitas culturas e etnias diferentes, os reis frequentemente tinham de recorrer ao uso da força para impor a sua vontade sobre um reino heterogéneo. Grandes reis como Sargão de Akkad, Hamurabi, Ashurbanipal e Nabucodonosor, tornaram-se figuras semi-divinas que desempenharam um papel central na história mesopotâmica.

O papel importantíssimo dos sacerdotes na sociedade mesopotâmica

Sacerdotes e sacerdotisas ocupavam o posto mais alto na hierarquia social da Mesopotâmia. Não só conduziam cerimónias religiosas e interpretavam a vontade divina, mas serviam como curandeiros e eruditos.

As mulheres parecem ter gozado de uma grande dose de igualdade na antiga Mesopotâmia, embora a sua posição na hierarquia social tenha mudado ao longo de toda a história. Sacerdotes e sacerdotisas eram vistos como iguais ao rei, pois eram os mediadores entre o povo e os deuses.

Para além de executar os seus deveres sagrados, os sacerdotes eram responsáveis da organização e administração dos templos e dos complexos templários que formavam o coração de uma cidade mesopotâmica.

As vidas confortáveis da classe superior

A grande maioria das pessoas que viviam na antiga Mesopotâmia pertencia ou à classe superior ou à inferior. Ainda não temos um quadro completo da hierarquia social da Mesopotâmia e de quanta mobilidade social havia, mas aqueles que pertenciam à classe superior devem ter conduzido vidas bastante confortáveis.

Mercadores, escribas e oficiais pertenciam aos escalões superiores da sociedade, bem como contabilistas, arquitectos e astrólogos. Os mercadores ricos eram servidos por escravos e empregavam pessoas de várias profissões.

Como era o caso no antigo Egipto, os escribas eram altamente respeitados e ocupavam um posto de especial importância na vida social da Mesopotâmia. Serviam como professores e tutores e eram empregados na corte.

Camponeses, trabalhadores e construtores: homens e mulheres que construíram uma civilização

As civilizações mesopotâmicas dependiam largamente da agricultura para sustentar uma população urbana em crescimento. Não obstante, as pessoas de classe inferior podiam encontrar emprego numa grande variedade de ocupações como talhantes, pescadores, tecelões de cestos, trabalhadores de construção, artistas, carpinteiros, oleiros e muito mais.

Os artífices cujas profissões eram altamente valorizadas podiam encontrar emprego com mercadores ou nobres ricos. Embora o nosso conhecimento do sistema de classes da Mesopotâmia permaneça inconclusivo, as provas arqueológicas existentes indicam que as pessoas de classe inferior podiam subir a escada social.

Invenção das rodas

Uma misteriosa Kubaba, uma ex-taberneira, subiu a tornar-se a rainha da cidade de Kish e a única mulher a ser incluída na Lista dos reis sumérios.

Os escravos ocupavam um posto no fundo da hierarquia social

Os escravos eram os mais baixos entre as classes sociais da Mesopotâmia. Como era o caso na antiga Grécia e Roma, muitos escravos eram membros de nações inimigas, tribos ou cidades capturadas na guerra. Por vezes, a escravatura era uma punição por um crime ou o meio de aliviar uma dívida. Vender-se a si próprios em escravatura para pagar uma dívida não era raro.

Os escravos eram empregados numa variedade de profissões. Geriam grandes propriedades para os seus senhores, faziam de tutores das crianças, trabalhavam como contabilistas ou mesmo fabricantes de joias. Os membros da nobreza fiavam-se nos escravos para gerir as suas casas. Não se sabe muito sobre as vidas quotidianas dos escravos. Era possível, no entanto, para um escravo comprar a própria liberdade.

Vida quotidiana na antiga Mesopotâmia

A intrincada hierarquia social da Mesopotâmia reflectia-se nas vidas quotidianas do seu povo. Os mesopotâmicos amavam música, arte, e eram renomados construtores e artífices. Os hábitos quotidianos dependiam da classe social, idade e sexo de alguém.

Os ricos podiam permitir-se construir casas luxuosas e moradias que eram ricamente mobiladas com mesas e camas, frequentemente intricadamente entalhadas e feitas de ouro ou prata. As moradias das classes inferiores eram, obviamente, muito mais simples.

As provas arqueológicas indicam que os mesopotâmicos gozavam de uma dieta rica e diversificada que consistia de frutos e legumes, peixe e gado. Também a caça era popular. A cerveja era tão valorizada que era usada para pagar os salários dos trabalhadores, mas a gente amava também beber vinho.

O vestuário como sinal de estatuto social

O modo como se vestia na antiga Mesopotâmia dependia largamente do seu estatuto social e sexo. Os homens comumente usavam longas vestes ou saias plissadas. Estas eram feitas de pele de cabra ou de ovelha. As mulheres vestiam-se com túnicas monopeça feitas de lã ou linho. Mulheres e homens mais idosos usavam também vestes, enquanto os homens mais jovens usavam também saias. Ambos os sexos usavam cosméticos para exaltar a sua beleza.

Conclusão

Estrutura social mesopotâmica

Ao longo de toda a sua longa história, a Mesopotâmia foi casa de muitas civilizações, dos sumérios e acádios aos assírios e babilónicos. A classe social da antiga Mesopotâmia determinava a sorte de alguém e reflectia a vida quotidiana, os hábitos e o aspecto de um indivíduo.

A estrutura social da Mesopotâmia consistia de:

  • O rei, a nobreza e os sacerdotes que estavam no cimo da pirâmide social
  • Debaixo deles estavam os escribas e os mercadores que formavam a classe superior
  • Os camponeses, os trabalhadores e os artífices eram a classe inferior
  • Os escravos estavam no fundo da hierarquia social e tinham de servir os seus senhores

O berço da civilização, a Mesopotâmia, ainda nos fascina hoje como um exemplo de engenho humano e o primeiro passo para a construção do mundo como o conhecemos hoje.

Criado: 11 de janeiro de 2022

Modificado: 29 de fevereiro de 2024