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O orgulho na Ilíada: o tema do orgulho na sociedade grega antiga

Orgulho na Ilíada: guerreiros gregos antigos no campo de batalha

O orgulho na Ilíada, escrita por Homero, dizia respeito às façanhas heróicas dos guerreiros no campo e a como seriam recordados nos anos por vir. Na sociedade grega antiga, porém, o orgulho era considerado uma qualidade admirável, e quem mostrava excessiva humildade era visto como fraco.

Continue a ler: este artigo discute o tema do orgulho e examina exemplos deste traço no poema épico de Homero.

O que é o orgulho na Ilíada?

O orgulho naIlíada** é o traço de carácter que impele quase todas as personagens masculinas à acção.** Controlado, é admirável; excessivo, pode levar à ruína, como mostra a Ilíada. Heitor, Odisseu, Protesilau e Aquiles mostraram um orgulho que na sociedade de hoje resultaria negativo.

O tema do orgulho na sociedade grega antiga

Como já dito, os antigos gregos viam o orgulho como um traço positivo porque era uma sociedade guerreira e o orgulho era o impulso de cada guerreiro. Era a força que impelia cada guerreiro a dar tudo ou nada no campo em defesa da própria polis.

O orgulho andava de par em par com a glória e a honra: por isso muitas personagens principais o colocavam acima da própria vida. Embora fosse um traço positivo, demasiado dele causou a destruição da maior parte dos protagonistas do poema.

O orgulho excessivo era conhecido como hybris e definia-se como desafio aos deuses pela confiança nas próprias capacidades. Um exemplo clássico é quando Atena doou a Diomedes força sobre-humana mas o advertiu a não a usar contra os deuses, excepto Afrodite.

A nova força de Diomedes ajudou-o a derrotar todos os mortais que encontrava no campo e sentia-se orgulhoso dos sucessos. Combateu inclusive a deusa Afrodite e venceu, mas o orgulho levou-o a combater Apolo apesar da advertência.

Quase perdeu a vida, salvo a misericórdia de Apolo, que com poucas palavras tornou impotente o Diomedes orgulhoso. Embora o deus da profecia mostrasse clemência e poupasse a vida, nem todas as personagens do poema gozaram de tal indulgência.

Ao mesmo tempo, personagens como Protesilau, Aquiles e Heitor morreram devido ao orgulho extremo. Os gregos acreditavam pois que o orgulho era bom porque alimentava o ego e tirava o melhor, mas demasiado orgulho era censurado.

O orgulho de Aquiles na Ilíada

vários exemplos do orgulho de Aquiles na Ilíada, essenciais ao seu papel de protagonista e guerreiro mais forte do exército grego. Os troianos temiam Aquiles e a sua só presença bastava para virar a maré da guerra a favor dos gregos.

Não por acaso, quando os gregos perdiam, Pátroclo pediu a Aquiles a armadura só para assustar os troianos. O plano funcionou à perfeição: os troianos começaram a perder assim que viram a armadura de Aquiles, acreditando que era o próprio Aquiles.

O primeiro exemplo é no Livro I, onde a ira de Aquiles se revela na contenda com o chefe Agamémnon pelo seu bem mais precioso: uma escrava. Segundo o relato, os gregos tinham acabado de saquear uma cidade perto de Troia e depredado bens e escravos. Agamémnon tomou Criseida, filha do sacerdote da cidade, Crises. Aquiles, em vez disso, acabou com Briseida, outra escrava.

Agamémnon teve de restituir Criseida ao pai para deter a peste que tinha atingido o exército grego por a ter tomado. Agamémnon, pois, tomou o prémio de guerra de Aquiles como substituto, e isso irritou Aquiles.

Aquiles deu de má vontade o bem precioso ao chefe Agamémnon, mas jurou não combater mais pelos gregos contra os troianos. Como reza uma citação sobre o orgulho de Aquiles na Ilíada: «E agora ameaças arrancar-me em pessoa o meu prémio… não pretendo mais ficar aqui desonrado e acumular as tuas riquezas e o teu luxo…»

Via a escrava como monumento do sucesso na campanha anterior e como orgulho e glória. Fiel às palavras, Aquiles não combateu os troianos e o exército grego sofreu graves perdas. Vários apelos, incluindo uma embaixada de guerreiros eminentes como Odisseu e Ájax Maior, foram recusados por Aquiles. Bastou a morte do melhor amigo e o regresso do seu orgulho para que voltasse ao campo.

O orgulho de Protesilau

Protesilau era uma personagem menor que morreu no início da guerra pelo orgulho. No início da guerra, todos os guerreiros gregos recusaram descer das naves por uma profecia: o primeiro a pôr pé no solo troiano morreria.

Protesilau considerava a vida de pouco valor e acreditava que a morte deixaria o seu nome nos anais da história grega. Assim, com orgulho, Protesilau saltou da nave, matou alguns troianos e morreu às mãos do maior guerreiro troiano, Heitor.

As acções de Protesilau valeram-lhe um lugar na mitologia e na religião gregas: em torno dele nasceram vários cultos. Teve templos em seu nome e festas religiosas em sua honra, que lhe trariam muito orgulho.

O orgulho de Heitor

Heitor era o troiano mais forte do poema e, como o inimigo Aquiles, tinha uma honra a defender. Diz-se que com grande poder vem grande responsabilidade, e portanto portando o título de “maior guerreiro troiano” a reputação de Heitor estava em jogo.

Sentia-se orgulhoso de guiar as tropas em batalha porque sabia que a glória o esperava no fim da guerra. Mesmo se esposa e filho procuraram dissuadi-lo, o orgulho de Heitor impeliu-o para a frente.

Mesmo quando soube que seria morto por Aquiles, Heitor não conheceu retirada nem rendição. Preferia morrer no campo a na comodidade de casa, onde não havia honra. Heitor matou vários guerreiros gregos, incluindo Protesilau, e caiu só às mãos do guerreiro mais forte de ambas as frentes, Aquiles. Para ele o além na Ilíada contava mais do que a vida presente.

O orgulho de Menelau

O gatilho de toda a guerra foi o orgulho ferido de Menelau, Helena de Troia. Helena era conhecida como a mulher mais bela de toda a Grécia e era o orgulho do rei Menelau de Esparta. Como já visto, as mulheres eram vistas como propriedade e possuir uma, sobretudo a mais bela, era honra de um homem. Assim, quando Helena foi raptada por Páris, Menelau reuniu um enorme exército só para a recuperar e restaurar o próprio orgulho.

Embora a guerra durasse dez anos, Menelau não se rendeu: não queria nada menos do que a restauração da honra. Estava disposto a sacrificar enormes recursos e a vida dos seus homens para reaver Helena. No fim, Menelau teve o orgulho restaurado: Helena foi-lhe restituída. Sem o orgulho de Menelau a história da Ilíada provavelmente não teria acontecido.

FAQ

Havia amizade na Ilíada?

Sim: embora o orgulho impelisse os guerreiros a combater, houve circunstâncias em que puseram de lado as hostilidades e estenderam a mão da amizade. Um caso é a cena entre Heitor e Ájax Maior. Quando os dois grandes guerreiros se enfrentaram, não houve desfecho conclusivo: estavam a par. Assim, em vez de combater pelo orgulho, Ájax e Heitor engoliram-no e tornaram-se amigos.

Os dois guerreiros trocaram inclusive dons em sinal de relação, em nítido contraste com o ódio entre as duas frentes. O ódio na Ilíada foi temporariamente aplacado nesta cena, enquanto ambos os lados faziam uma pausa do campo.

Conclusão

Este ensaio sobre a Ilíada explorou o tema do orgulho e deu várias ilustrações de orgulho no poema épico de Homero. Eis um resumo do que foi discutido:

O papel do orgulho na Ilíada: guerreiros gregos
  • O orgulho são as façanhas heróicas dos guerreiros no campo e como seriam recordados.
  • A sociedade grega antiga via o orgulho como um traço admirável mas censurava a hybris, o orgulho excessivo.
  • As principais personagens masculinas do poema mostraram orgulho, que serviu também de combustível para a trama da Ilíada.
  • Embora o orgulho atravesse todos os guerreiros gregos, alguns engoliram-no por amor da amizade.

O orgulho era como uma religião na Ilíada, com honra e glória como divindades. Embora a sociedade de hoje veja o orgulho como um vício, era uma virtude nos dias guerreiros dos gregos que cada guerreiro possuía.

Author

Por Mundo Mítico

Criado: 16 de fevereiro de 2024

Modificado: 28 de dezembro de 2024