Livros sobre o Rei Artur
Por Caleb Howells
As lendas arturianas envolvem um enorme corpus literário. Existem muitos, muitos livros sobre o lendário Rei Artur, tanto medievais como modernos. Se está a tentar saber mais sobre estas lendas, pode ser difícil saber por onde começar. Este artigo oferece uma panorâmica de alguns dos melhores livros disponíveis para ajudar a conhecer as lendas do Rei Artur, bem como a história por trás delas.

Historia Regum Britanniae, de Godofredo de Monmouth
Um livro particularmente valioso sobre as lendas do Rei Artur provém da era medieval. Foi escrito por um monge do País de Gales chamado Godofredo de Monmouth por volta de 1137. Chama-se Historia Regum Britanniae, que significa História dos Reis da Bretanha. Godofredo afirmava que se tratava de uma tradução de um «livro muito antigo» escrito na língua britânica (provavelmente galesa ou bretã) que lhe fora entregue por Walter, arquediácono de Oxford.
A maioria dos estudiosos não acredita nesta alegação, embora alguns aceitem que ele possa ter recebido de Walter algum material galês com que trabalhar. Em qualquer caso, a evidência linguística e textual torna claro que a obra de Godofredo preserva de facto muitas tradições galesas mais antigas. Uma enorme parte do livro é dedicada à carreira do Rei Artur. Na verdade, cerca de metade diz respeito ao período habitualmente chamado de Era Arturiana. Godofredo de Monmouth foi a primeira pessoa a apresentar uma narrativa da carreira completa de Artur.
A obra apresenta uma visão relativamente realista de Artur, em contraste com as lendas medievais posteriores. Descreve Artur como um rei poderoso, com muitos reis por toda a Bretanha como seus aliados. Descreve as suas campanhas contra os saxões, a sua guerra contra os romanos e a queda do seu reinado durante a usurpação pelo sobrinho.
A Historia Regum Britanniae está escrita em prosa e é razoavelmente fácil de ler. Estão disponíveis várias traduções, como a tradução de J. A. Giles (que pode ser lida online aqui: https://en.wikisource.org/wiki/Six_Old_English_Chronicles/Geoffrey%27s_British_History) ou a de Lewis Thorpe.
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O Rei Artur e os seus Cavaleiros da Mesa Redonda, de Roger Lancelyn Green
Muitos dos elementos mais tradicionais dos contos do Rei Artur, como a Mesa Redonda, Lancelot, a Espada na Pedra e a Dama do Lago, só surgem nas lendas arturianas depois do livro de Godofredo de Monmouth. O livro moderno King Arthur and His Knights of the Round Table, de Roger Lancelyn Green, é uma excelente recriação das lendas arturianas com todas as famosas partes tradicionais da lenda incluídas. É um ponto de partida perfeito para quem está apenas a começar a interessar-se pelas lendas arturianas.
Green escreveu este livro em 1953. Destinava-se originalmente a crianças, mas tornou-se uma publicação clássica apreciada por muitos que querem ler uma versão relativamente simples e acessível da lenda de Artur. Baseia-se sobretudo no Le Morte d’Arthur de Sir Thomas Malory, do século XV. Contudo, inclui também histórias e pormenores de lendas medievais mais antigas sobre o Rei Artur.
Para quem deseja uma panorâmica simples mas completa da lenda do Rei Artur na sua forma mais tradicional, este livro é ideal. É também ideal para crianças, uma vez que eram, afinal, o público original do livro.
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The New Arthurian Encyclopedia: New Edition, de Norris J. Lacy
Para além dos livros que recontam a lenda do Rei Artur, os livros que analisam essas lendas e o seu contexto histórico são também muito valiosos. Um desses livros é The New Arthurian Encyclopedia: New Edition, editado por Norris J. Lacy em 1995. Esta obra de referência monumental examina tudo o que diz respeito às lendas arturianas. Analisa a evolução das lendas ao longo dos séculos. Examina como essas lendas figuraram na literatura, no folclore e até na arte e na música.
The New Arthurian Encyclopedia analisa também o contexto histórico das lendas. Discute informações que esclarecem os factos que podem estar por trás de certos elementos, como Camelot, Badon e até a historicidade do próprio Artur.
É uma obra muito académica, com contributos de 130 especialistas no assunto. Foi concebida para ser tão abrangente que nenhum outro livro sobre as lendas arturianas seria necessário. De facto, é amplamente considerada indispensável na estante de qualquer apaixonado pelo Rei Artur. Para quem tenha interesse em aprender sobre as lendas arturianas — qualquer que seja o seu aspeto — esta obra seria de enorme valor.
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Oxford Guide to Arthurian Literature and Legend, de Alan Lupack
Essencialmente uma rival da obra anterior, Oxford Guide to Arthurian Literature and Legend foi publicado por Alan Lupack em 2007. Tal como a anterior, apresenta uma panorâmica abrangente da evolução das lendas arturianas ao longo dos séculos, incluindo a forma como apareceram nos meios modernos.
Analisa também o contexto histórico das lendas e as diferentes teorias que foram apresentadas sobre Artur. Contém uma explicação verdadeiramente enciclopédica de inúmeras personagens, eventos, lugares e objetos das lendas. Examina igualmente a evidência histórica e arqueológica que lhes diz respeito.
O autor, Alan Lupack, é uma autoridade altamente respeitada no mundo dos estudos arturianos. É o criador de The Camelot Project, uma base de dados online de informações sobre o Rei Artur. Sem dúvida, a sua obra de referência sobre Artur é muito útil para quem esteja interessado em aprender sobre qualquer parte das lendas de Artur.
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The Age of Arthur, de John Morris
Um dos livros mais famosos que analisam as lendas arturianas é The Age of Arthur, publicado por John Morris em 1973. Esta obra examina não apenas o próprio Artur, mas todo o período de 350 a 650. Em vez de se concentrar nas lendas arturianas em si, esta obra tenta descobrir e revelar a verdadeira história dessa era.
Por essa razão, dá-se muito mais atenção a figuras que raramente aparecem, se é que alguma vez aparecem, nas lendas tradicionais de Artur. Por exemplo, discute figuras históricas como o rei Maelgwn e o monge Gildas. O autor aceita Artur como uma pessoa histórica e tenta argumentar o que poderá realmente ter ocorrido na Bretanha durante o seu reinado.
Muitos estudiosos criticaram esta obra por ser excessivamente otimista quanto ao que as fontes disponíveis nos podem dizer. Em vez de aceitar as fontes meramente como uma demonstração das crenças das pessoas na altura em que foram escritas, Morris tentou usar essas fontes para chegar a conclusões históricas. Na opinião de muitos estudiosos, Morris foi longe demais com base em evidências escassas. Ainda assim, alguns dos seus argumentos continuam a ser convincentes.
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The World of Arthur, de Christopher Snyder
The World of Arthur tem um título semelhante ao da obra de Morris, mas é muito diferente. Publicado em 2000 e escrito pelo historiador Christopher Snyder, este livro concentra-se mais em explicar ao leitor o que são as lendas arturianas e como evoluíram ao longo dos séculos. Nesse sentido, está muito mais próximo de The New Arthurian Encyclopedia e de Oxford Guide to Arthurian Literature and Legend.
Contudo, ao contrário dessas monumentais obras de referência, este é muito mais visual e mais fácil de ler. Está cheio de ilustrações, mapas, pinturas e vários outros tipos de apoio visual. Para quem não gosta de ler página após página de parágrafos intermináveis, este pode ser o melhor livro para aprender sobre as lendas do Rei Artur, de Merlin e de Camelot.
Também explora até certo ponto a evidência histórica relacionada com as lendas. Contudo, ao contrário de John Morris, Christopher Snyder não acredita que Artur tenha existido. A evidência histórica e arqueológica aqui incluida diz respeito sobretudo a partes da lenda que não envolvem o próprio Artur.
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Arthur’s Britain: History and Archaeology AD 367–634, de Leslie Alcock
Uma obra muito semelhante a The Age of Arthur de John Morris, Leslie Alcock escreveu Arthur’s Britain: History and Archaeology AD 367–634 em 1972. Este livro examina a evidência relativa ao período entre os séculos IV e VII, com base na arqueologia e nas fontes literárias. O autor expõe o que a evidência disponível revela sobre como era a vida na Bretanha no tempo de Artur.
Tal como Morris, Alcock aceitava Artur como uma figura histórica neste livro (mais tarde na vida, expressou mais dúvidas sobre o assunto). Era um grande defensor da ligação de Artur a Cadbury Castle, identificado há séculos como Camelot. Alcock foi o arqueólogo que liderou a escavação monumental desse local há várias décadas e revelou a sua importância na Bretanha pós-romana. Esta ligação, bem como outra evidência arqueológica, é explicada neste livro.
Contudo, deve notar-se que este não é um livro particularmente fácil de ler. É muito académico. Isso não é necessariamente uma coisa negativa, mas o fã casual de Artur pode ter dificuldade em manter-se envolvido durante a leitura. Ainda assim, para quem tenha um interesse apaixonado pelo assunto, isto não deve ser um dissuasor.
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The Arthur of the Welsh: The Arthurian Legend in Medieval Welsh Literature, de Rachel Bromwich, A. O. H. Jarmon e Brynley F. Roberts
Um livro ainda mais académico é The Arthur of the Welsh: The Arthurian Legend in Medieval Welsh Literature. Foi editado por Rachel Bromwich, A. O. H. Jarmon e Brynley F. Roberts e publicado em 1991. É uma coleção de ensaios de 12 colaboradores diferentes, muitos dos quais são figuras gigantes no mundo dos estudos arturianos.
A própria Rachel Bromwich, além de ser uma das editoras-gerais, escreveu dois dos ensaios. Patrick Sims-Williams também escreveu um deles. Ambos os estudiosos são académicos enormemente respeitados no estudo da Bretanha medieval. Este é um livro extremamente valioso e respeitado sobre a questão da historicidade de Artur e do desenvolvimento da lenda arturiana dentro dos textos galeses medievais (que estão entre os mais importantes no que diz respeito à questão da historicidade de Artur).
Esta obra não poupa nas complexidades e nos pormenores académicos, pelo que não é o livro ideal para quem tem apenas um interesse casual por Artur. Também não é ideal para quem está apenas a começar a pesquisar o assunto. Ainda assim, para quem já está familiarizado com as lendas e com os debates em torno de certos aspetos desta questão, esta obra proporcionaria uma verdadeira riqueza de informações.
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The Discovery of King Arthur, de Geoffrey Ashe
Em 1985, o historiador britânico Geoffrey Ashe escreveu The Discovery of King Arthur. Este livro apresenta o que se revelou ser uma das teorias mais populares sobre Artur. Em vez de apresentar uma panorâmica das lendas arturianas ou do mundo em que Artur viveu, este livro concentra-se numa explicação histórica de um aspeto específico das lendas.
Enquanto a maioria dos livros sobre o Artur «histórico» se concentra nas suas campanhas contra os saxões, este livro analisa as lendas sobre Artur a combater no continente contra os romanos. Ashe concluiu que esta lenda deve ter uma base histórica, por mais distorcida ou embelezada que esteja. O livro argumenta que a origem desta lenda está em Riothamus.
Riothamus foi um rei histórico dos britões que está registado como tendo travado uma batalha na Gália contra os visigodos. Ashe sustenta que esta lenda cresceu até se tornar a lenda mais tarde registada por Godofredo de Monmouth. Embora isto não tenha convencido a maioria dos estudiosos, há alguns que aceitam Riothamus como o núcleo histórico, por assim dizer, do Rei Artur.
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King Arthur: The Man Who Conquered Europe, de Caleb Howells
Seguindo uma abordagem semelhante à de Geoffrey Ashe, Caleb Howells conclui, em King Arthur: The Man Who Conquered Europe, publicado em 2019, que a lenda de Artur a combater uma guerra contra os romanos na Europa deve ter uma base histórica. Ao contrário de Ashe, este livro argumenta que a carreira de Riothamus não é suficientemente semelhante à de Artur para ter sido a base da lenda.
O livro apresenta a tese de que a origem desta lenda está na usurpação do Império Romano do Ocidente por Magnus Maximus. Em particular, procura ligar o Artur lendário a Andragathius, o comandante da cavalaria de Magnus Maximus e líder general do exército.
Embora alguns estudiosos anteriores já tivessem reconhecido a possível ligação entre este evento histórico e a lenda de Artur, este livro é o primeiro a apresentar uma comparação detalhada, passo a passo, da lenda arturiana com a usurpação de Maximus. Ao fazê-lo, tenta revelar a origem de cada episódio distinto da lenda de Artur a conquistar a Europa.
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King Arthur: Man or Myth?, de Tony Sullivan
Em 2020, o investigador Tony Sullivan escreveu King Arthur: Man or Myth? Este livro não argumenta a favor de nenhuma teoria específica. Em vez disso, analisa as várias teorias sobre a historicidade de Artur e apresenta a evidência ao leitor. O autor esforça-se muito por ser neutro quanto ao assunto, não favorecendo nenhum dos lados.
Este livro examina também alegações relativas à identidade de Artur. Tal como nos dois livros acima mencionados, muitos investigadores identificaram Artur com indivíduos específicos conhecidos por registos mais contemporâneos. Neste livro, Sullivan apresenta estes argumentos ao leitor e mostra também os contra-argumentos, permitindo que o leitor forme a sua própria opinião sobre a sua validade.
É um livro valioso para quem esteja interessado em conhecer a potencial verdade por trás de Artur. Em vez de fazer alegações sensacionalistas, este livro ajuda o leitor a considerar as várias teorias com cuidado e cautela.
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King Arthur: The Making of the Legend, de Nicholas J Higham
Em 2018, o académico Nicholas Higham escreveu King Arthur: The Making of the Legend. Este livro argumenta fortemente contra a conclusão de que Artur foi histórico. Em vez disso, Higham sustenta que Artur nunca existiu de todo e que a lenda sobre ele foi desenvolvida por escritores medievais com claros motivos políticos.
Higham analisa a evidência apresentada por aqueles que acreditam que Artur foi real, criticando-a toda como inválida. Examina também as várias teorias sobre a identidade de Artur. Apresenta ao leitor a suposta evidência para estas identificações, tal como Sullivan acima. Contudo, Higham é muito mais crítico em relação a elas, quase ferozmente.
Tenta desmantelar estas teorias na totalidade e demonstrar que Artur não pode ser identificado com nenhuma figura histórica conhecida. Para quem esteja interessado em conhecer o lado mais crítico do debate e os argumentos contra a existência de Artur, este é um livro essencial.
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The Reign of Arthur: From History to Legend, de Christopher Gidlow
Christopher Gidlow escreveu The Reign of Arthur: From History to Legend em 2005. Este é essencialmente a contraparte do livro de Nicholas Higham acima mencionado. Argumenta com força que existe toda a razão para aceitar o Rei Artur como uma figura histórica. Longe de ser inconsistente com os primeiros registos, tal conclusão é na verdade a mais lógica à luz das fontes.
O livro de Gidlow concentra-se na evidência textual em vez do lado arqueológico. Examina o relato mais antigo da era de Artur, uma fonte do início da Idade Média que, notoriamente, não menciona o próprio Artur, e tenta demonstrar como a informação aí contida é perfeitamente consistente com as lendas arturianas.
É importante conhecer ambos os lados do argumento, pelo que, juntamente com o livro de Higham acima, este é um recurso importante para quem pretenda investigar se Artur realmente existiu ou não.
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